Febeapá do agro: Mais que ignorância, dizer que ninguém come eucalipto esconde uma maldade, por Xico Graziano/Poder 360

 

“Nós não comemos eucalipto”. Lembrei-me desse comentário sobre a silvicultura ao refletir sobre o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado na 2ª feira (5.jun.2023). Se houvesse um febeapá do agro, essa absurda frase, atribuída a um dirigente do MST, estaria nele com certeza.

Para quem não conhece, “Febeapá – O Festival de Besteira que Assola o País” é o título de memorável livro de Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo do carioca Sérgio Porto, publicado originalmente em 1966. As crônicas, que compõem o livro, tratavam com humor certos fatos, ou declarações, oriundas da política comandada, na época, pelos militares. A censura corria solta, e era preciso driblar a repressão para escrever.

Sérgio Porto fazia rir com a tragédia autoritarista.

Plantar árvores, qualquer uma delas, sempre foi um ato simbólico importante entre todos aqueles interessados na preservação ambiental. Representa reverência à natureza, cuidado com a qualidade de vida, abrigo aos pássaros, a beleza do verde, uma sombra para amainar o suor.

Plantações de árvores visando a recuperação de áreas degradadas e fornecimento de madeira disseminaram, pioneiramente, a silvicultura no Japão, desde o final do século 17. Mais tarde, políticas de reflorestamento reverteram o declínio histórico das florestas europeias, a partir de 1800, conforme descreve Jared Diamont, em seu extraordinário livro “Colapso” (2005).

No Brasil, a silvicultura se praticava em pequena escala desde o Império. A introdução do eucalipto, espécie nativa da Austrália, remonta há 100 anos, com os experimentos conduzidos pelo pesquisador Edmundo Navarro de Andrade, no horto florestal de Rio Claro. No calor tropical, a grande árvore assegurou um sucesso extraordinário. Bem mais tarde, na década de 1960, se introduziram os pinus (pinheiros) norteamericanos, que junto com o eucalipto passaram a dominar os plantios florestais brasileiros, direcionados para a fabricação de celulose e papel. Outras espécies, como a teca e o mogno africano, despertaram a atenção de produtores rurais, devido à exploração de sua valiosa madeira.

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