O PODER DOS PODEROSOS

É bem provável que o nosso país seja um “modelo” de nação onde o poder dos poderosos é visível porque se tornou numa ferramenta de governança para quem desfruta de sua intimidade. Os poderosos – líderes políticos, empresários influentes ou elites do mundo militar atuando com desenvoltura em todos os poderes da República – utilizam sua posição para moldar instituições, controlar narrativas e garantir a manutenção de seus interesses.

O caldo cultural desse mix é um ciclo vicioso em que a corrupção deixa de ser exceção e passa a ser uma regra nacional. E faço tal observação baseado numa declaração do banqueiro Daniel Vorcaro que afirmou que “no Brasil não tem como andar se não tiver fortes amigos em Brasília”. Para ele, “fortes amigos” significam “proteção” e sem eles não estaria no lugar aonde chegou.

E foi surfando em ondas protecionistas que o seu banco Master conseguiu R$ 16,7 bilhões do Banco Regional de Brasília (BRB) entre 2024 e 2025, sendo que, pelo menos, R$12,2 bilhões envolvem operações fraudulentas.

O Ministério Público Federal identificou “indícios de participação consciente dos dirigentes do BRB no suposto esquema fraudulento engendrado pelos gestores do Banco Master”. Daniel Vorcaro logo entendeu como transitar nos meandros do poder ao se relacionar com seus integrantes através de festas, jantares no exterior, viagens e “serviços técnicos especializados”, os quais, só no ano passado, custaram ao Banco Master, R$ 580 milhões, um volume 73% acima do que foi gasto em 2023.

Boa parte do aumento das despesas do Master ficou registrada por consultoria jurídica e política com poderosos escritórios de advogados e com líderes políticos cujo trânsito em Brasília é livre e sem barreiras. Dizem na capital federal que Daniel Vorcaro comprou uma mansão num condomínio fechado por R$ 36 milhões e era frequentada por diferentes interlocutores influentes. Mas o poder dos poderosos é bem mais amplo do que o estouro do Banco Master, pois ele ainda pode estar em movimento com a ação dos ladravazes quando tomaram, no atacado, bilhões de reais de milhões de aposentados, pensionistas e incapazes.

Ou alguém poderia imaginar que o INSS liberou R$ 12 bilhões, apenas em empréstimos consignados no nome de 763 mil crianças? Dá nojo…

Os clientes do Banco Master que compraram certificados de rendimentos – 1,6 milhões de aplicadores – receberão R$ 41 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Este valor indenizatório é para quem aplicou até R$ 250 mil. Acima disto, os valores serão ressarcidos após a liquidação extrajudicial do banco.

A prisão do controlador do Banco Master e a liquidação da instituição não terminam com a operação. Mais gente precisa dar explicações no Banco Central, no Distrito Federal e no Congresso Nacional.