Pioneiro: Como a foto de um deputado de cueca influenciou na cassação de seu mandato/Aventuras na História
“Barreto Pinto sem máscara”, dizia o título da reportagem, a qual apresentava uma sessão de fotos um tanto curiosa.
Uma das imagens, por exemplo, mostrava o político sem camisa em uma banheira. Em outra, o homem aparecia de sunga na praia, com a legenda o apontando como “um tipo bem mal-acabado”, ressaltando seus “pés chatos”, a “barriga mole” e as “pernas cabeludas”.

Processo e cassação
O deputado Barreto Pinto até chegou a processar o jornalista David Nasser e o fotógrafo Jean Manzon, que realizaram a reportagem. Contudo, isso não foi suficiente para impedir a cassação de seu mandato, mas tomou proporções ainda maiores.
O que aconteceu foi que, depois que a surgiu o escândalo, o político nascido no estado do Rio de Janeiro passou a zombar da repercussão do caso, tendo, até mesmo, participado de uma peça de teatro repetindo a mesma combinação de roupas. O resultado disso tudo se revelaria três anos mais tarde, quando foi desligado da política.

O que disse em sua defesa
O fluminense sempre afirmou ter sido manipulado por Manzon e Nasser, os quais, segundo ele, teriam assegurando-lhe que a câmera o enquadraria somente da cintura para cima, o que não ocorreu.
Segundo relatou o jornalista Carlos Chagas à Rádio Câmara em 2006, como estava muito calor, os profissionais haviam sugerido que o político tirasse a calça. “E, ingenuamente, o Barreto Pinto aceitou.”
“Eles queriam mesmo uma coisa ridícula e fotografaram o Barreto Pinto de casaca da cintura pra cima, com gravatinha branca e tudo, mas de cueca”, afirmou o jornalista.

Disputas políticas
No entanto, conforme explicou Chagas, o episódio da cueca não foi o que determinou a perda do mandato por parte do deputado. Segundo ele, o principal motivo para tal eram as disputas políticas com o PTB, do qual fazia parte o então senador Getúlio Vargas. Assim, a cassação se revelou como uma maneira de prejudicar Vargas.
Por mais que o partido tenha defendido Barreto Pinto, o plenário da Câmara decidiu que ele deveria deixar o cargo.
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