O TRISTE FIM DO PSDB GAÚCHO

 

 

Os aplausos para Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e para o governador Eduardo Leite, no encontro estadual de sábado passado, foram o réquiem do PSDB gaúcho.

Dos 35 prefeitos eleitos pelos tucanos no ano passado, 27 assinaram ficha no PSD. Lá estavam também lideranças municipais do MDB, União Brasil e Podemos, as quais, provavelmente, irão se transferir para o PSD. Também aderiram com filiação pedessista, um prefeito do PP, de Cotiporã (José Carlos Breda) e outro de Barra do Rio Azul, do PRD (Anderson Bagatini).

O evento serviu para mostrar a nova musculatura do partido de Kassab no nosso estado, com um lamentável atestado da lipoaspiração tucana. O encolhimento do PSDB é resultado de uma combinação de fatores históricos, políticos e estratégicos que se acumularam ao longo dos últimos anos.

O partido deixou de ter uma posição clara entre centro-esquerda e centro-direita. Muitos eleitores passaram a não saber se o PSDB era socialdemocrata, liberal ou conservador. Essa ambiguidade dificultou a fidelização de sua base histórica. Tal ambiguidade começou com sua liderança máxima, o ex-presidente FHC que recebeu de Lula, quando se elegeu presidente em 2002, críticas de ter de administrar o Brasil com uma herança maldita.

FHC nunca respondeu com a devida de energia e postura de liderança de um partido que tinha até um charme de propor um novo país de mãos dadas com a socialdemocracia europeia. Partidos políticos brasileiros que registram seu programa doutrinário no TSE e depois fazem a opção pelo fisiologismo tem certidão de óbito garantida logo ali adiante. O modelo serviu para os tucanos.

A cidade de São Paulo que já foi o principal reduto do PSDB, em 2024, não elegeu nenhum vereador tucano. O PSDB governou a capital paulista em três eleições: 2004, 2016 e 2020. No ano passado, com José Datena de candidato, o PSDB fez apenas 1,84 dos votos, amargando um quinto lugar.

Em 2022, o PSDB elegeu cinco deputados estaduais: Professor Bonatto, Delegada Nadine, Nery Carteiro, Pedro Pereira e Kaká D‘Ávila. Para Câmara dos Deputados se elegeram Lucas Redecker e Daniel da TV.

A atual presidência regional do PSDB está nas mãos da ex-prefeita pelotense Paula Mascarenhas. Por se tratar de uma amiga pessoal do governador Eduardo Leite, ela já deve ter pensando em acompanhá-lo no PSD. Talvez não queira segurar a alça do caixão tucano.