MORRE O MÚSICO LUIZ CARLOS BORGES

 

 

O músico Luiz Carlos Borges faleceu na quarta-feira na Santa Casa de Porto Alegre. Ele era considerado um dos principais nomes da música regional do Rio Grande do Sul e teve uma carreira marcada por participações e vitórias em diversos festivais. Além disso, Borges atuou como jurado, idealizador e organizador do Musicanto Sul-Americano de nativismo na cidade de Santa Rosa.

Nascido em Santo Ângelo em 25 de março de 1953, Luiz Carlos Borges era um talentoso músico instrumentista, compositor e intérprete brasileiro. Desde os sete anos de idade, ele se dedicou à música, iniciando sua carreira no conjunto Irmãos Borges em sua cidade natal. Mais tarde, enquanto estudante universitário em Santa Maria – RS, ele começou sua carreira solo, alcançando sucesso com a composição “Tropa de Osso”, que recebeu um prêmio na 9ª edição da Califórnia da Canção Nativa do RS. Essa música foi parte de um movimento musical que revolucionou a Música Tradicional Gaúcha na década de 1970.

Luiz Carlos Borges aprimorou seus conhecimentos no Curso Superior de Música e, em 1980, formou-se em música pela Universidade Federal de Santa Maria. Ele assumiu a direção do Centro Cultural Municipal e Biblioteca Pública daquela cidade. Nesse mesmo ano, gravou seu primeiro LP solo, intitulado “Tropa de Osso”, que teve repercussão em todo o estado.

A partir desse ponto, Borges dedicou-se à renovação da música regional gaúcha. Em 1982, mudou-se para São Borja, onde assumiu a Assessoria de Cultura e Turismo do município e trabalhou no Projeto “São Borja 300 anos de História” ao longo de todo o ano. No mesmo ano, lançou seu segundo LP solo, intitulado “Noites, Penas e Guitarra”.

Em 1983, a convite da administração municipal, Borges assumiu a assessoria de Cultura e Turismo em Santa Rosa. Foi lá que ele idealizou e desenvolveu o Projeto Musicanto Sul-Americano de Nativismo, que buscava resgatar os costumes populares da região e proporcionar um espaço para que toda a América do Sul mostrasse sua produção musical nativa em cada região dos países sul-americanos.

Ao longo de sua carreira, Luiz Carlos Borges gravou mais de 32 LPs e CDs, incluindo uma música com Mercedes Sosa em seu último trabalho intitulado “Cantora”. Além disso, ele participou de diversos shows pelo mundo como convidado especial. Borges também foi presidente do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore.

Luiz Carlos Borges teve uma carreira de destaque no cenário da música nativista no Rio Grande do Sul. Além de suas conquistas em festivais e sua atuação como jurado, idealizador e organizador do Musicanto Sul-Americano de Nativismo, ele deixou um legado significativo na música regional gaúcha.

Borges foi reconhecido por sua habilidade como multi-instrumentista, dominando diversos instrumentos como acordeão, piano, guitarra, violão, entre outros. Sua versatilidade musical o permitiu explorar diferentes sonoridades e estilos em suas composições e interpretações.

Ao longo de sua carreira, ele colaborou com diversos artistas renomados da música regional e nacional. Além da parceria com Mercedes Sosa, mencionada anteriormente, Borges também trabalhou com nomes como Renato Borghetti, Yamandu Costa, Renato Fagundes e muitos outros. Essas colaborações enriqueceram sua discografia e proporcionaram criações musicais memoráveis.

Suas composições eram marcadas por letras poéticas e melodias que expressavam as tradições, a cultura e os sentimentos do povo gaúcho. Entre suas músicas mais conhecidas estão “Tropa de Osso”, “De Bota e Bombacha”, “Gaita Missioneira”, “Milonga para as Missões” e “Pra Quem Tem Alma de Campo”, que se tornaram verdadeiros hinos da música nativista.

Além de sua carreira como músico, Luiz Carlos Borges também se dedicou ao ensino e à pesquisa da música tradicional gaúcha. Ele ministrou aulas, palestras e workshops, compartilhando seus conhecimentos e incentivando o estudo e a valorização desse gênero musical.

Seu talento e contribuição para a música nativista lhe renderam diversos prêmios e reconhecimentos ao longo de sua trajetória. Ele recebeu homenagens como o Troféu Vitor Mateus Teixeira, concedido pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho, e foi agraciado com a Medalha do Mérito Farroupilha, uma das maiores honrarias do estado do Rio Grande do Sul.

Luiz Carlos Borges deixou um legado importante para a música regional do Rio Grande do Sul, sendo lembrado como um dos grandes ícones e embaixadores desse estilo musical. Sua paixão, dedicação e talento continuarão a inspirar gerações futuras de músicos e amantes da cultura gaúcha.