Indicação: “A Primeira Vítima” (“The First Casualty”)

 

 

Nos anos 40, Hollywood apresentava os correspondentes de guerra como personagens românticos e glamorosos, porém, a realidade não era tão colorida. Jornalistas enviados à linha de frente eram testemunhas de farsas políticas e desastres militares. Como disse o senador americano Hiram W. Johnson, “a primeira vítima da guerra é a verdade”. Ernest Hemingway, que cobriu a Guerra Civil espanhola, libertação de Paris e a I Guerra, personificou perfeitamente o papel do jornalista/aventureiro e ajudou a construir sua imagem de herói. Porém, ele não foi o pioneiro, pois 80 anos antes, William Furay e J. A. Daugherty arriscaram suas vidas para cobrir a Guerra Civil americana. Outros escritores, como Kipling, Wells e Waugh, escreveram sobre as guerras que testemunharam.

O trabalho dos jornalistas que cobriram inúmeras guerras foi pesquisado pelo escritor Phillip Knightley, do The Sunday Times. Ele registrou desassombros, gestos heroicos, mas também erros e omissões monumentais. Em tempos de guerra, regimes fortes costumam omitir derrotas e fracassos, substituindo-os por vitórias e heróis. No entanto, alguns jornalistas deixaram um legado exemplar, como Aloysius MacGahan, John Reed e Luigi Barzini, que mudaram a perspectiva do Ocidente sobre importantes eventos históricos.

Embora os problemas de comunicação durante as guerras não existam mais, a influência dos donos do poder ainda é presente. Mesmo na era da comunicação digital, o jornalista ainda precisa andar sobre o fio da navalha e escolher qual é sua prioridade. Como disse Mark Twain, “Lealdade ao meu país, sempre. Lealdade ao governo, quando ele merece”.

Phillip Knightley foi o autor do livro “A Primeira Vítima” (“The First Casualty” no título original em inglês), que foi publicado em 1975. O livro trata da história da cobertura da mídia na guerra, desde a Guerra dos Bôeres em 1899 até a Guerra do Vietnã em 1975, examinando as motivações, interesses e responsabilidades dos jornalistas e veículos de imprensa na divulgação das informações de guerra para o público. O livro se tornou uma obra importante no estudo do papel da mídia na sociedade e nas relações internacionais.