Casa noturna Fascinação foi pioneira do karaokê no Rio Grande do Sul, por Marcello Campos/Jornal do Comércio
Os quase dois quilômetros que separam as duas pontas da avenida Getúlio Vargas já receberam diferentes nomenclaturas – Santa Teresa (1848), Menino Deus (1858) e Treze de Maio (1888) – antes que suas placas indicassem a designação definitiva, em 1935, para homenagear o então ditador são-borjense. Do pacato arrabalde ao movimentado bairro nas adjacências do centro de Porto Alegre, não menos diversas foram as atividades nessa via de mão dupla que cruza a região, com seus pontos de comércio a dinamizar uma área de amplo predomínio residencial.
Em meio a lojas, escritórios, armazéns, consultórios e outros negócios, o caminho teve seu momento mais luminoso nos anos 1980, ao se consolidar no roteiro boêmio com endereços cuja memória hoje contrasta com madrugadas praticamente desertas, salvo pela teimosia de um ou dois bares em manter portas abertas à diversão de quem dorme tarde. Mas a máquina do tempo sempre pode ser ajustada para um passeio saudosista pelas últimas seis décadas de agitos em mais de dez quadras (e no seu entorno), sob o embalo de muita música mecânica ou ao vivo.
A eclética trilha sonora da Getúlio fisgou um público de perfil essencialmente de classe-média e que não se resumia à vizinhança. Com facilidade de acesso e preços mais democráticos (ao menos na comparação ao eixo Independência–Moinhos de Vento–Auxiliadora), a lista inclui locais como Noblesse, Clube da Chave (segunda sede), Carlitus, Velvet, Open, Bar 1, Recanto do Tio Flor, Barbaridade, Viva Maria, Cia. dos Sanduíches, Rekint, Blue Eyes, San Ciro, Cenário, Sherlock’s, Âncora, Pimplus, La Boheme, Choupana, W588, General De Gaulle, Bordô, Taco Pub e Chipp’s.
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