UM DEPOIMENTO
Recebi correspondência de um amigo e ouvinte que faço questão de compartilhar com os amigos.
“Caro Rogério, se tu pretende falar sobre o que está ocorrendo sobre racismo nos EUA, gostaria de dar meu depoimento.
Aqui quem te manda a mensagem é o Paulo Roberto Mattos Dias, sou amigo do Engenheiro Miguel Bastian.
Sou médico, de origem negra, a qual me orgulho, não gostaria de vitimização, mas o que acontece no Brasil não é muito diferente dos EUA. Lá já teve negro no poder, e tem negros nos altos escalões.
Aqui não existe negro nos altos escalões não tem mestiços que se identificam como Ministros.
Apesar de ter votado no Bolsonaro, eu não gosto de ver aquele cara preto parado do lado dele, sem falar uma palavra, representa algo ridículo.
Estou falando apenas como desabafo, sou de uma das primeiras turmas de pós graduação na UFRGS de Medicina do Esporte, sou das primeira turmas pós- graduação em Administração Hospitalar.
Viajo anualmente ou para os EUA e/ou para Europa, 90% das vezes para congressos ou cursos, sou Ortopedista e Traumatologista com formação em pés e tornozelos na Espanha e estágio na Cleveland Clínica em Cleveland, Ohio.
Nunca fui lembrado, será porque não tenho capacidade ou não tive oportunidade?
Acho que para ocupar cargo no governo que ter currículo prévio, porque cargo no governo não é currículo.
Olhando dos meus 63 anos, te digo ter cor é pior e isto pode?
1)No Brasil temos um racismo velado, tipo: eu não falo tu não fala, mas eu te digo, isto um dia vai explodir;
2)Sabe quando o racismo contra os negros no Brasil ou nos EUA vai acabar?
Só quando o negro e o branco irem a um emprego e terem oportunidades iguais.
Vocês acham que hoje é igual?
Se acham que isto não existe, estão errados, por que o negro vai saber que foi injustiçado e pode agredir. E quando agredir vai no ponto mais fraco nosso, que é a família. Por que tu atingiu a família dele também.
Óbvio que não justifica.
O remédio é a mudança de mentalidade urgente, e a mídia pode fazer isto, mas tem interesse?
No Brasil tem quase 60% de negros e nas classes superiores não tem está representatividade em lugar nenhum. Existe um bloqueio, e eu não estou falando de vestibular ou curso universitário.
Eu estou falando de competitividade, o negro já larga atrás no visual, já tem um ponto a menos na largada, tem que ter uma oportunidade.
Rogério, obrigado pela oportunidade, gosto da clareza que transmite e do jeito destemido que se manifesta. Se acha conveniente e se for relevante para ti pública. Um grande abraço.”
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