{"id":4420,"date":"2022-11-04T06:54:13","date_gmt":"2022-11-04T09:54:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.rogeriomendelski.com.br\/sitio\/?p=4420"},"modified":"2022-11-04T06:59:30","modified_gmt":"2022-11-04T09:59:30","slug":"le-chagrin-et-la-pitie-ou-the-sorrow-and-the-pity-por-paulo-francis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.rogeriomendelski.com.br\/sitio\/2022\/11\/04\/le-chagrin-et-la-pitie-ou-the-sorrow-and-the-pity-por-paulo-francis\/","title":{"rendered":"&#8220;Le Chagrin et la Piti\u00e9&#8221; ou &#8220;The Sorrow and the Pity&#8221;, por Paulo Francis"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Paulo Francis nos brindou com v\u00e1rios textos, alguns reunidos no livro &#8220;Paulo Francis &#8211; Nu e Cru&#8221;, editado pela CODECRI.<\/p>\n<p>Em tempo: o nome codecri, inventado pelo cartunista Henfil, seria o acr\u00f4nimo de &#8220;Companhia (ou, segundo outras vers\u00f5es, comit\u00ea ou comando) de Defesa do Criol\u00e9u&#8221;.<\/p>\n<p>Na dedicat\u00f3ria de &#8220;Nu e Cru Francis homenagearia Jaguar: &#8220;Ao Jaguar, sem o qual O PASQUIM n\u00e3o existiria, mas que n\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel pela minha raiva e melancolia.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-4422 size-full\" src=\"https:\/\/www.rogeriomendelski.com.br\/sitio\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Capturar-1.png\" alt=\"\" width=\"637\" height=\"408\" srcset=\"https:\/\/www.rogeriomendelski.com.br\/sitio\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Capturar-1.png 637w, https:\/\/www.rogeriomendelski.com.br\/sitio\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Capturar-1-300x192.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 637px) 100vw, 637px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Antes de tudo, gostaria de pedir aos editores que deixassem o t\u00edtulo no original, em franc\u00eas. Afinal, se algu\u00e9m n\u00e3o souber o que significa \u00e9 s\u00f3 ir ao dicion\u00e1rio. E \u00e9 uma novidade um pouco de franc\u00eas num jornal j\u00e1 parcialmente escrito em ingl\u00eas. Mas confesso logo que gosto do t\u00edtulo e n\u00e3o sei traduzi-lo. A tradu\u00e7\u00e3o inglesa \u00e9 The Sorrow and the Pity. Tamb\u00e9m n\u00e3o gosto. Acho que Chagrin \u00e9 mais sutil e menos profundo que Sorrow e acho que Pity \u00e9 mais forte que Piti\u00e9. N\u00e3o esclarecido isso, acrescento que esse document\u00e1rio de 4,20 h., com 10 de intervalo, onde comi dois sandu\u00edches de presunto e tomei duas cocas (colas), \u00e9 um grande filme e um filme muito falhado. N\u00e3o o percam, se puderem v\u00ea-lo. Exijam. Ao menos a Cinemateca do MAM pode import\u00e1-lo. Garanto que Marcel Ophuls, o autor, que j\u00e1 entrou para ficar na modesta hist\u00f3ria do cinema, quer mesmo \u00e9 p\u00fablico, antes de dinheiro (mas isso n\u00e3o \u00e9 raz\u00e3o para roub\u00e1-lo).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>E gostaria de pedir a certos leitores meus que parassem com essa frescura que eu devo ser mais \u201cpol\u00edtico\u201d e falar menos de cinema e outras coisas. Sou um jornalista de assuntos gerais, ao menos dos que julgo entende um pouco. Do particular procuro extrair uma id\u00e9ia geral, e vice versa. Profundo. Se consigo ou n\u00e3o, \u00e9 outro papo. Mas n\u00e3o sou, com certeza, cr\u00edtico de cinema.<\/em><br \/>\n<em>N\u00e3o h\u00e1 muito o que criticar em cinema. \u00c9 uma coisa menor, mas, como j\u00e1 dizia meu amigo Merleau-Ponty (voc\u00eas leram o ensaio dele que publiquei no Quarto Caderno do Correio da Manh\u00e3 explicando por que Marx \u00e9 um cl\u00e1ssico? \u00c9 um dos tr\u00eas ou quatro ensaios que qualquer pessoa civilizada tem a obriga\u00e7\u00e3o de ler).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Mas o que dizia mesmo meu amigo Merleau-Ponty? Que cinema \u00e9 \u00f3timo para a gente ver o comportamento humano. Sem d\u00favida. Isso n\u00e3o me basta. Qualquer romance de segunda me diz mais que o melhor filme de Bergman. Mas (cinema) \u00e9 uma sensa\u00e7\u00e3o toda especial, quando \u00e9 bom, como um gole de cerveja gelad\u00edssima num dia de muito calor (ningu\u00e9m, espero, compara cerveja a u\u00edsque, ou a certos vinhos). \u00c9 um tro\u00e7o sui-generis, necess\u00e1rio hoje, porque a maioria das pessoas s\u00f3 v\u00ea mesmo do nosso complicad\u00e9rrimo mundo um cart\u00e3o postal. E no cinema, ao menos, o cart\u00e3o postal \u00e9 animado. What&#8217;s up, Doc (percam o filme com este nome. Exijam a volta de Bugs Bunny, o leg\u00edtimo). Uso o cinema como base. At\u00e9 Napole\u00e3o precisava de almofadas no cavalo. Piles, you know. 4,20, sim, senhor, Paulo Francis, na tua idade. E \u00e9 document\u00e1rio de televis\u00e3o. Quer dizer, a base \u00e9 middle shot e close-up, que pega bem em televis\u00e3o, porque em televis\u00e3o long shot n\u00e3o funciona. Em cinema, t\u00e9cnica de televis\u00e3o chateia bastante. E um montador competente (o de The Godfather, por exemplo, \u00e9 um g\u00eanio de concis\u00e3o expressiva) cortaria tranq\u00fcilamente 2 das 4,20h, e ter\u00edamos um tro\u00e7o corrido, quente etc. Prefiro o original, chato como \u00e9, em partes. Uma coisa n\u00e3o tem nada que ver com a outra, em termos est\u00e9ticos, mas quando reli recentemente aqui Os Irm\u00e3os Karamazov, tinha resolvido pular aquelas cenas insuportavelmente chatas de Alyosha. Comecei. N\u00e3o deu p\u00e9. Voltei atr\u00e1s. A chatice \u00e9 parte da grardeza. A chatice \u00e9 parte da vida, \u00e9 talvez a maior parte, e isso tem de se refletir nas grandes obras de arte. Bem, aqui n\u00e3o bem de arte. \u00c9 um grande momento sociol\u00f3gico do cinema.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O filme de Marcel Ophuls \u00e9 sobre a Ocupa\u00e7\u00e3o nazista da Fran\u00e7a. No m\u00ednimo, 80% dos franceses apoiaram, ou se lixaram. P\u00e9tain era popular\u00edssimo. Laval e ele executaram tudo que Hitler queria (P\u00e9tain recusou compromissos militares e foi amb\u00edguo quanto \u00e0 Armada Francesa, afinal destru\u00edda pelos ingleses, mas falo da pol\u00edtica interna). Foi o \u00fanico governo, o \u00fanico povo a colaborar com as for\u00e7as de ocupa\u00e7\u00e3o. Inclusive, as leis anti-semitas francesas, algumas, eram mais violentas que as alem\u00e3s. A Fran\u00e7a estava cheia de campos de concentra\u00e7\u00e3o. Deu tudo aos alem\u00e3es. De oper\u00e1rios a crian\u00e7as judaicas, o que a Gestapo n\u00e3o queria (o Dr. Claude Levy, da Resist\u00eancia, tem um depoimento a respeito, no filme, definitivo). Quatro mil e tantas crian\u00e7as judaicas, fazendo nas cal\u00e7as, na pris\u00e3o (que funcionou brilhantemente, nota Levy, porque a pol\u00edcia civil francesa colaborou exemplarmente), enquanto Eichmann (exatamente) n\u00e3o sabia o que fazer delas. Lavai resolveu o problema. Mandou-as, ele pr\u00f3prio, aos campos de exterm\u00ednio.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Compreendo a paran\u00f3ia atual dos judeus sobre Israel, que, \u00e0s vezes, se volta contra mim. Mas assim mesmo, cuidado com a paran\u00f3ia. Eu j\u00e1 sabia de tudo isso e de algumas coisas que Ophuls n\u00e3o conta (ver O QUE FICOU DE FORA), mas certamente \u00e9 novidade para a maioria dos n\u00e3o especialistas. S\u00f3 que o fato de eu j\u00e1 saber n\u00e3o me tira um m\u00ednimo da revela\u00e7\u00e3o do filme. Porque s\u00e3o as pessoas que viveram aquilo que aparecem, inclusive o genro de Lavai, defendendo-o at\u00e9 hoje. A gente v\u00ea: cinema. O filme mostra cenas da \u00e9poca e entrevistas com sobreviventes. Justap\u00f5e os dois per\u00edodos de maneira basicamente exposit\u00f3ria, mas F-se objetividade, felizmente. Ophuls edita os fatos, claro, e muito equilibradamente, dando-nos v\u00e1rias surpresas, como voc\u00eas ver\u00e3o, se tiverem a paci\u00eancia de ler este catatal.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Notas: \u201c80% apoiaram ou se lixaram\u201d. Mais se lixaram. O Dr. Pangloss que s\u00f3 via at\u00e9 a ponta do nariz \u00e9 uma imagem otimista de Voltaire. A maioria das pessoas tem um conhecimento da realidade inferior a de um gato. S\u00f3 em certos momentos da Hist\u00f3ria h\u00e1 explos\u00f5es de consci\u00eancia que at\u00e9 hoje nenhum pensador explicou, a meu contento, pelo menos. H\u00e1 depoentes que nem se lembram de ter visto alem\u00e3es na Fran\u00e7a. Quase acredito. Se viram, n\u00e3o notaram.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O que \u00e9 um pa\u00eds ocupado? Entendam a minha defini\u00e7\u00e3o no mais lato senso poss\u00edvel. N\u00e3o precisa ser ocupa\u00e7\u00e3o estrangeira. \u00c9 um pa\u00eds onde, em primeiro lugar, haja \u201cjudeus\u201d. Um pa\u00eds em que homens e n\u00e3o leis governem. Onde os ideais (os melhores) da civiliza\u00e7\u00e3o grega, crist\u00e3, renascentista e iluminista cessem ativamente de existir como subst\u00e2ncia e forma de vida, substitu\u00eddos pela esterilidade, o aborto cultural. Onde n\u00e3o haja liberdade. Quem silencia, compactua. Le Chagrin et la Piti\u00e9 nos p\u00f5e todos na Fran\u00e7a daquele tempo. Devemos julgar-nos quando estivermos julgando. Estou sendo professoral e chato. Am\u00e9m.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Sou neto de um excelente senhor alem\u00e3o, por parte de pai. Um homem decente em todos os sentidos. Mas ao ver um certo capit\u00e3o Hausend, que lutou no ex\u00e9rcito nazista na Fran\u00e7a, tive uma fantasia homicida. Que eu gostaria pessoalmente de jogar uma bomba de hidrog\u00eanio na Alemanha, que os Aliados deveriam ter imposto uma paz cartaginesa ao III Reich. Retiro o que disse. N\u00e3o faria isso. Mas pensei.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Hausend \u00e9 gordote, um s\u00f3lido porco. Um bom burgu\u00eas. Est\u00e1 casando uma filha em 1969, quando aparece no document\u00e1rio. A mulher \u00e9 a t\u00edpica hausfrau alem\u00e3, abjetamente submissa e preocupada com a opini\u00e3o dos vizinhos. V\u00e1rios filhos de Hausend s\u00e3o do novo ex\u00e9rcito alem\u00e3o, da democr\u00e1tica Rep\u00fablica Federal Alem\u00e3, voc\u00eas sabem? Hausend diz que os franceses logo se convenceram que os alem\u00e3es n\u00e3o eram monstros e todos se deram bem. Ele n\u00e3o tem queixas, ou remorsos. Ophuls estranha que Hausend, em trajes civis, ainda use condecora\u00e7\u00f5es que ganhou de Hitler e pergunta se os vizinhos n\u00e3o o criticam. Hausend diz que j\u00e1 ouviu cr\u00edticas, mas explica, delicadamente que \u00e9 porque os cr\u00edticos n\u00e3o ganharam condecora\u00e7\u00f5es como ele.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>E tem uma cr\u00edtica a fazer aos franceses: chama os maquis de bandidos, porque n\u00e3o se identificavam (sic). Acha que deveriam usar alguma esp\u00e9cie de uniforme para serem tratados como beligerantes. \u00c3 paisana, n\u00e3o passavam de bandidos. Ophuls lhe pergunta se viu atrocidades cometidas pela Gestapo. Claro que n\u00e3o. Mas, afinal, conclui, a Gestapo estava l\u00e1 para \u201cnos\u201d proteger.<\/em><br \/>\n<em>Hannah Arendt tem raz\u00e3o. O Mal \u00e9 banal. Mas filosoficamente apenas. N\u00e3o sejamos t\u00e3o inteligentes quanto Miss Arendt. JDL\u00f3djo. p\u00f5deTer um sentimento extremamente saud\u00e1vel.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>UM IDIOTA RURAL<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Louis Grave \u00e9 um pequeno fazendeiro e vive no que Marx chamou a \u201cidiotia rural\u201d, falando da gente do campo. Foi maquis. Esteve em Buchenwald. Conta que morrendo de fome, um alem\u00e3o lhe passou um dia uma ma\u00e7\u00e3. (Nota: existia um alem\u00e3o humano no III Reich, fora da cadeia) N\u00e3o denunciou o vizinho que o denunciou \u00e0 Gestapo, levando-o portanto a Buchenwald (j\u00e1 visitei: as acomoda\u00e7\u00f5es n\u00e3o eram de primeira classe). Sabem por que? Porque delatando esse vizinho ele tamb\u00e9m seria delator, coisa para que n\u00e3o tem est\u00f4mago. Louis Grave \u00e9 o sal da terra. Idiota rural \u00e9 a vovozinha.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>DUAS PERSONALIDADES<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O que faltou a Mend\u00e8s-France para ser um grande l\u00edder? Ele \u00e9 de Esquerda, corajoso, simp\u00e1tico em si e com simpatia pela humanidade, mas fracassou como primeiro-ministro, fraquejou diante do colonialismo. Aqui, ele est\u00e1 na melhor. Tenente da Aeron\u00e1utica querendo brigar e judeu, uma combina\u00e7\u00e3o perigosa em Vichy, 1940. Cana nele. Foge. Sobe num muro. <\/em><br \/>\n<em>Tem de pular. Embaixo um casal, impedindo o salto. Ele quer. Ela est\u00e1 em d\u00favida. Discutem, voc\u00eas sabem como \u00e9, \u201cmas meu amorzinho\u201d, \u201cMeu bem, n\u00e3o \u00e9 isso, \u00e9 que\u201d, \u201cmas, meu amorzinho, voc\u00ea n\u00e3o me ama?\u201d \u201cAmo sim, meu amor, mais que tudo, mas \u00e9 que\u201d etc. A conversa n\u00e3o \u00e9 muito brilhante como literatura, mas quem j\u00e1 a teve, sente o drama. Mend\u00e8s n\u00e3o podia pular em cima do casal e queria que a mo\u00e7a resolvesse logo para ele poder fugir. Por fim o casal se foi, separado. Mendes diz que gostaria de reencontr\u00e1-lo para congratular-se com a mo\u00e7a pela \u201cmod\u00e9stia\u201d e solidarizar-se com o rapaz, pela frustra\u00e7\u00e3o. \u00c9 a parte principal do depoimento dele. J\u00e1 sei o que faltou a Mend\u00e8s para ser um grande l\u00edder. Ele \u00e9 humano demais. Christian de la Mazi\u00e8re \u00e9 fascinante. Um aristocrata fascista. Nada de caricatura. Tem uma l\u00f3gica irrespond\u00edvel para as negras, digo, para os aristocratas dele. Explica que nos anos 30, os pol\u00edticos franceses eram \u201ccorruptos\u201d (sempre foram, inclusive os de Direita, o que a Direita sempre \u201cesquece\u201d, quando quer impor uma ditadura). Que o mundo estava polarizado entre fascismo e comunismo. Ele, aristocrata, crist\u00e3o, amigo da hierarquia, da ordem, das tradi\u00e7\u00f5es da Fran\u00e7a (quais? Dos Bourbons ou de Saint-Just?) s\u00f3 poderia optar pelo fascismo naquela luta mortal. E, depois, aquelas pessoas de \u201cascend\u00eancia d\u00fabia\u201d (vulgo judeus) no poder, como permitir? C\u00f4mico. N\u00f3s que fomos educados por Trotsky, Rosa Luxemburg etc., sempre achamos a Frente Popular de Leon Blum (o governo a que de la Mazi\u00e8re se refere) uma mistifica\u00e7\u00e3o do stalinismo e de um fr\u00e1gil reformismo. Para a direita, por\u00e9m, era o pr\u00f3prio COMUNISMO, qua, qua. De la Mazi\u00e8re no pal\u00e1cio magn\u00edfico que habita, explica a OP\u00c7\u00c3O que fez. Agora, n\u00e3o pensem que tenha sido um parasita, um direitista de mero ber\u00e7o de ouro. Foi oficial das Waffen SS na URSS, onde n\u00e3o se brincava de guerra, n\u00e3o. Dos 7 mil franceses que se uniram a ele, s\u00f3 300 sobreviveram, entre eles o educad\u00edssimo Christian, que dep\u00f5e para n\u00f3s, sem remorsos. Como classific\u00e1-lo? N\u00e3o deixa de ser um her\u00f3i, \u00e0 maneira dele.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>O MAIS COMOVENTE<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Denis Rake tem 70 anos e picos (sinto uma quase irresist\u00edvel tenta\u00e7\u00e3o ao trocadilho. Resisti). Acaricia o gato. Sotaque de m\u00e9dia classe m\u00e9dia, ou alta classe m\u00e9dia? \u00c9 por a\u00ed. H\u00e1 aquele je ne sais quoi nos gestos e jeito que provoca o famoso grito no Maracan\u00e3. Mas Rake (ironiazinha: quer dizer devasso, em ingl\u00eas) foi da S.O.E., durante a II Guerra, na Fran\u00e7a. O que \u00e9 S.O.E.? foi uma das maiores organiza\u00e7\u00f5es de terrorismo e sabotagem que se conhece, no n\u00edvel da Se\u00e7\u00e3o 13 da KGB (a principal pol\u00edcia secreta da URSS). Fez o diabo na Europa Nazista, criada sob medida por Churchill, preparando a invas\u00e3o da Norm\u00e2ndia, depois que se convenceu daquilo que eu informo invariavelmente a voc\u00eas: que o Servi\u00e7o Secreto Ingl\u00eas (MI-6 ent\u00e3o, agora SIS) \u00e9 a popular f\u00f3rmula do cobre, idem CIA, etc. E Rake foi um dos mestres do terror e da sabotagem.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Notem bem que se ele fosse capturado cairia nas m\u00e3os da Gestapo, que n\u00e3o era propriamente uma escola para mo\u00e7as. Ophuls nota que Rake j\u00e1 andava pelos 40 naqueles tempos, logo para que ser volunt\u00e1rio de servi\u00e7o t\u00e3o perigoso? Rake, ligeiramente encabulado, explica que, sendo homossexual, sempre fora muito criticado por certos amigos e queria provar-lhes que era capaz de fazer o que os mach\u00f5es mais-mais faziam. Pense nisso quando baixar o \u00f3dio tribal a algum rebolante, meu ilustre passageiro e leitor. Freud tinha raz\u00e3o: o sentimento de culpa \u00e9 uma das grandes, talvez a maior fonte de cria\u00e7\u00e3o do homem&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>CHOQUES<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Hitler, meus amigos, parece que tinha um certo charme, quando n\u00e3o estava discursando. Orwell disse que o mataria imediatamente se pudesse, mas que reconhecia nele uma frustra\u00e7\u00e3o de grande for\u00e7a emp\u00e1tica. Nunca notei. Mas, ao natural, apesar do bigode e cabelo, ele me sugeriu uma vivacidade envolvente, \u00e9 o que nos (me) mostra Ophuls. Sabemos que era um imbecil, em termos intelectuais. Moralmente, \u00e9 imposs\u00edvel julg\u00e1-lo, porque sup\u00e9rfluo, n\u00e3o temos simplesmente a capacidade de caracteriz\u00e1-lo. Mas a\u00ed est\u00e1, em alguns momentos, um senhor que parece um bom papo. Essa impress\u00e3o minha \u00e9 o requinte de horror de Le Chagrin et la Piti\u00e9. Sempre amei Danielle Darrieux. N\u00e3o mais. Rompemos definitivamente. Foi quando a vi subindo num trem para a Alemanha onde ia filmar com os nazistas. Ag\u00fcentei todos os chifres que ela me p\u00f4s nos filmes, mas isso \u00e9 demais. E ainda rindo.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Sempre detestei Maurice Chevalier. Sempre tive raz\u00e3o. \u00c9 o franc\u00eas de anedota e cantou na Alemanha tamb\u00e9m. Diz que n\u00e3o. Que foi para os prisioneiros franceses. Os franceses o perdoaram. Talvez se reconhe\u00e7am nele. Eu n\u00e3o tenho de que o perdoar, porque nunca o tolerei.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>As massas nas ruas, aplaudindo P\u00e9tain. As mesmas massas aplaudindo De Gaulle. Massas. \u00c9 preciso acabar com as massas. Aristocratas e revolucion\u00e1rios concordam nisso, com objetivos<\/em><br \/>\n<em>diferentes, mas \u00e9 imposs\u00edvel \u2014 e politicamente, acreditem, amo a humanidade, mas muito poucos seres humanos, talvez porque me sinta relfetido neles \u2014 \u00e9 imposs\u00edvel, eu dizia, n\u00e3o me sentir como Coriolano quando vejo essas massas. Mas a\u00ed, nesse desespero, me lembro da qu\u00edmica misteriosa de 1789 e de fevereiro de 1917, e consigo pensar no Brasil, no meu povo, na minha \u201cgente\u201d (n\u00e3o \u00e9 esta a palavra) e murmurar um modesto, at\u00e9 quando, \u00f3 Senhor?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>SURPRESAS<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Anthony Eden. Que eleg\u00e2ncia, quedasse, que sotaque. Me \u201cesque\u00e7o\u201d temporariamente que le foi contra auxiliar os republicanos espanh\u00f3is. \u00c9 com a maior gentileza, sem um tra\u00e7o de condescend\u00eancia, que fala dos repulsivos P\u00e9tain, Laval e outros colaboracionistas. O rep\u00f3rter quer saber se houve outro governo de pa\u00eds ocupado \u00e0 for\u00e7a (houve os que aderiram por gosto) pelos nazistas que colaborou como o franc\u00eas. Eden, constrangido, diz que n\u00e3o, o rep\u00f3rter pergunta se n\u00e3o havia um acordo entre a Fran\u00e7a e a Inglaterra que nenhum assinaria armist\u00edcio sem consentimento do outro Havia (cessar-fogo \u00e9 outra coisa, na impossibilidade de resistir.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Armist\u00edcio \u00e9 coniv\u00eancia. P.F). A Fran\u00e7a rompeu? Rompeu. Eden faz tudo para ado\u00e7ar a p\u00edlula que tem gosto de pimenta-b\u00f3lide. Diz que sem se \u201cser ocupado\u201d \u00e9 dif\u00edcil julgar os que passaram por isso. Os ingleses ganharam as duas \u00faltimas guerras, perdendo, ao mesmo tempo, o imp\u00e9rio, e tornando-se na\u00e7\u00e3o de segunda. Um paradoxo sem paralelo na Hist\u00f3ria. Mas a classe dirigente imperialista, teoricamente nojenta etc, manteve a moral, porque lutou bem, n\u00e3o se avacalhou em 1914 ou 1939 (esteve a pique de, em 1939, Munique e o escambal, mas Churchill e Eden salvaram-lhe a cara). Da\u00ed, acredito, a dignidade de gente como Eden (que ainda deu aquele fora horr\u00edvel em Suez). Dentro dos crit\u00e9rios em que foi educado, acredito que n\u00e3o tenha remorsos. Tem, pelo que vale, o meu respeito \u2014 da oposi\u00e7\u00e3o.\u00a0De Restier \u00e9 outro aristocrata. Rosto chupado. \u00c9 do \u00f3pio. Tem cara de quem j\u00e1 fez tudo em sexo.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Parece um pouco o Cocteau. Tem todas as condecora\u00e7\u00f5es da Resist\u00eancia (j\u00e1 morreu). Explica que para ser da Resist\u00eancia era preciso ser um \u201cdesajustado\u201d como ele. Mas n\u00e3o s\u00e3o as pessoas ajustadas as mais chatas e as piores? Quando vejo esses jovens bonitos americanos que voam em sofisticad\u00edssimos jatos sobre a Indochina, matando a gente mais miser\u00e1vel da terra, e explicando que \u201capenas cumprem o dever\u201d (Eichmann se tornou o fil\u00f3sofo preferido do Ocidente, em guerras), tenho certeza que s\u00e3o \u201cajustados\u201d. Prefiro Restier. Tenho certeza que passaria uma noite de agrad\u00e1vel e c\u00e9tico papo com ele ouvindo-o mais que falando, em que ele jamais mencionaria os atos de coragem insensata que praticou na Resist\u00eancia \u2014 pode haver assunto mais chato, ele perguntaria a s\u00e9rio \u2014 e cercados do melhor que a qu\u00edmica pode oferecer. O \u00fanico problema filos\u00f3fico do S\u00e9culo XX n\u00e3o \u00e9 o suic\u00eddio: \u00e9 o t\u00e9dio.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>O QUE FICOU DE FORA<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Depois de tanto elogio, eu poderia gentilmente chamar Ophuls de \u201cidiota visual\u201d, um desses rapazes que pensa que ver as coisas \u00e9 entend\u00ea-las. Gentilmente porque \u00e9 prefer\u00edvel isso a acusar safadeza nas omiss\u00f5es dele. Mas numa entrevista que deu ao Times, em que lhe cobraram o que vou cobrar aqui, ele estrepou-se. A primeira, a participa\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica no colaboracionismo. Ophuls diz que n\u00e3o conseguiu entrevistar ningu\u00e9m de peso. Pra que peso? Qualquer padre de uma ordem intelectualizada (jesu\u00edta, beneditino, ou dominicano) conhece as posi\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas da Igreja. O Vaticano tem um dos maiores quadros intelectuais do mundo, com especialistas no que quiserem. \u00c9 a omiss\u00e3o mais importante.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>E o PC franc\u00eas? Ophuls informa que o depoimento de Jacques Duelos, l\u00edder, sobre o Pacto Stalin-Hitler (agosto de 1939) \u00e9 \u201cinintelig\u00edvel\u201d. Era s\u00f3 Ophuls me dar (o depoimento) que eu o tornaria intelig\u00edvel. Fato: o PC, por causa da \u201cn\u00e3o-agress\u00e3o\u201d entre Stalin e Hitler, foi, entre 1939 e junho de 1941, t\u00e3o derrotista como os pr\u00f3-nazistas franceses, porque tinha instru\u00e7\u00f5es expressas de Stalin de \u201cn\u00e3o provocar Hitler contra o bolchevismo\u201d (a bem da verdade, acrescento que Stalin ficou desagradavelmente surpreso ante a derrota r\u00e1pida das For\u00e7as Armadas francesas). Quando Hitler invadiu a URSS, em 21-22 de junho de 1941, o PC, que antes acusava a guerra de transformar o proletariado em bucha para canh\u00e3o dos imperialistas, virou bicho. Converteu-se na for\u00e7a suprema da Resist\u00eancia. Tanto assim que o grande medo de De Gaulle era que os comunistas tomassem o poder, em 1944. De Gaulle, ing\u00eanuo, na \u00e9poca (por pouco tempo), ignorava que Stalin cedera a Fran\u00e7a como esfera de influ\u00eancia anglo-americana, em troca do Leste europeu, nos papos vis-\u00e0-vis Churchill e Roosevelt. Stalin conteve os comunistas franceses, a partir da invas\u00e3o dos Aliados na Norm\u00e2ndia. Ordenou-lhes que se submetessem a De Gaulle. O PC obedeceu, apesar de uma certa revolta nas bases. At\u00e9 hoje est\u00e1 nessa. N\u00e3o quer o poder. Assustou-se mais que as madames burguesas quando os meninos come\u00e7aram a tocar fogo no circo em maio-junho de 1968, fazendo um acordo por baixo do pano com Pompidou, que impediu a tentativa de revolu\u00e7\u00e3o da juventude naqueles dias (O PC decretou greve geral, mas por melhoria de vida. O que pintava ser revolu\u00e7\u00e3o passou a ser reivindica\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>E a Igreja? Onde estavam os bispos e Cia. quando Laval come\u00e7ou a cumprir alegremente a persegui\u00e7\u00e3o aos judeus? Simples, na linha de Pio XII, que considerava o comunismo O INIMIGO, preferindo Hitler a Stalin, logo, nada de \u201cprovocar\u201d o f\u00fchrer, que, apesar de meio anti Cristo, afinal servia tamb\u00e9m de anti-anti-Cristo, no complicado racioc\u00ednio do Vaticano. Sim, porque se a Igreja da Fran\u00e7a, poderos\u00edssima, berrasse, a Gestapo parava, e Lavai n\u00e3o ousaria sequer aquiescer na imund\u00edcie do genoc\u00eddio. E a coisa vai muito al\u00e9m ou muito atr\u00e1s, se preferirem. A Igreja da Fran\u00e7a ainda est\u00e1 combatendo a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa de 1789. A Fran\u00e7a \u00e9 um pa\u00eds esquizofr\u00eanico, o que o mais ing\u00eanuo turista \u00e9 capaz de notar, de sa\u00edda. De um lado, aquelas grandezas culturais: doutro a mesquinharia, a pequenez, o reacionarismo que vai da aristocracia \u00e0 quitanda. Os tr\u00eas pilares do racionarismo s\u00e3o Igreja, Ex\u00e9rcito e Aristocracia, interligados. A massa deles \u00e9 a pequena burguesia e o campesinato. Mas s\u00f3 a Igreja \u00e9 consistente. N\u00e3o consegue se livrar do fantasma de Robespierre (cuja subst\u00e2ncia \u00e9 Saint-Just). Lembre-se que depois que a Espanha se arrebentou contra a Inglaterra (Elizabeth I, com certa ajuda de Errol Flynn), a Fran\u00e7a se tornou a \u00fanica verdadeira grande pot\u00eancia cat\u00f3lica na Europa (a \u00c1ustria em med\u00edocre segundo lugar). 1789 foi o fim desse reinado. Uma das duas grandes revolu\u00e7\u00f5es estruturais da humanidade. A outra foi a de fevereiro de 1917, na R\u00fassia. N\u00e3o \u00e9 a bolchevique, a de outubro, comunistas em 1789 e fevereiro de 1917 foram as massas mesmo que fizeram a Revolu\u00e7\u00e3o. Em outubro de 1917, na R\u00fassia, houve uma revolu\u00e7\u00e3o mais profunda, mas dirigida por brilhante grupo de intelectuais revolucion\u00e1rios \u2014 inteiramente dirigida por Lenin e Trotsky. Falando nisso, h\u00e1 marxistas que concordam comigo: Rosa Luxemburg \u00e9 uma. Isso at\u00e9 hoje d\u00f3i na Igreja da Fran\u00e7a. Ela nunca abateu o reacionarismo. Manteve espiritualmente a cabe\u00e7a dos Bourbons. As outras for\u00e7as reacion\u00e1rias s\u00e3o menos coerentes. Afinal, o general De Gaulle, apesar de certas caracter\u00edsticas pra tr\u00e1s, era, em muitos sentidos, progressista e iluminado. E foi um coronel, aristocr\u00e1tico e anti-semita, Picqart, que, sofrendo o diabo, acabou obrigando, com o depoimento dele, a libertarem e a \u201creabilitarem\u201d Dreyfus. Entre a pequena burguesia e campesinato tamb\u00e9m sempre houve bons republicanos. E os aristocratas civis, bem, o pr\u00f3prio Ophuls nos mostra De Restier fazendo mis\u00e9rias e h\u00e1 todos aqueles cavalheiros com nomes entre h\u00edfens, lutando ao lado de De Gaulle e no poder at\u00e9 hoje, nem sempre na Direita. N\u00e3o na Igreja. N\u00e3o quero dizer que s\u00f3 tenha havido cat\u00f3licos reacion\u00e1rios na Fran\u00e7a, isso seria inexato e rid\u00edculo, mas a igreja, como institui\u00e7\u00e3o, esteve em todas contra os direitos humanos, se \u201cateus\u201d. A favor da \u201crestaura\u00e7\u00e3o\u201d de 1815, contra 1848, pr\u00f3-Napole\u00e3o golpista de araque, em 1851. (sobrinho do verdadeiro, e que virou personagem de Marx, no 18 Brum\u00e1rio etc), contra a Comuna (que nada tinha de comunista, falando nisso, Lenin \u00e9 que se apropriou do nome) de 1871, a favor de tudo quanto era movimento monarquista e anti-semita (na luta em que o caso Dreyfus \u00e9 o mais famoso exemplo e pretexto) at\u00e9 1914, e agitando furiosamente para derrubar a Frente Popular, de Leon Blum, em 1934, que a Igreja considerava \u201cbolchevique\u201d. N\u00e3o se esque\u00e7am que Maritain era tido como pensador cat\u00f3lico \u201cavan\u00e7ado\u201d na Fran\u00e7a, at\u00e9 pouco tempo. <\/em><br \/>\n<em>Por a\u00ed se tira a m\u00e9dia. Como em toda regra etc, algu\u00e9m certamente me lembrar\u00e1 os \u201cpadres oper\u00e1rios\u201d (que Jo\u00e3o XXIII mandou parar, eu. hem?)- Hoje, as coisas melhoraram. Certo? Agora, na d\u00e9cada de 1930, em que o \u201cbolchevismo\u201d (todas iniciativas de Esquerda ou meramente progressistas) e fascismo polarizavam as correntes dominantes das sociedades capitalistas, na crise da Depress\u00e3o, da guerra civil da Espanha e das convuls\u00f5es na Alemanha, o clero franc\u00eas obviamente preferiu Hitler e colaborou com P\u00e9tain e Lavai.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Nada disso \u00e9 sequer tocado no filme de Ophuls. Talvez seja assunto complicado demais para os modestos recursos formais do cinema. Mas nem uma palavrinha? N\u00e3o, \u00e9 imperdo\u00e1vel. Mas o filme \u00e9 magnif\u00edcio. Uma m\u00e1quina do tempo na Hist\u00f3ria passada e presente.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Paulo Francis nos brindou com v\u00e1rios textos, alguns reunidos no livro &#8220;Paulo Francis &#8211; Nu e Cru&#8221;, editado<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4421,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[8,15,16,10,11,47,19,12,18,7,13,14,17,20,1],"tags":[],"class_list":["post-4420","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","category-camara-de-vereadores","category-camara-federal","category-comunicacao","category-destaque","category-eleicoes-2024","category-musica","category-noticias","category-opiniao","category-politica","category-porto-alegre","category-rio-grande-do-sul","category-senado-federal","category-show","category-uncategorized","comments-off"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v23.0 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>&quot;Le Chagrin et la Piti\u00e9&quot; 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