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Gustavo Victorino

MÚSICA, BUSINESS E TECNOLOGIA

Esquisitice

A cantora Norah Jones sempre fez muito sucesso com seu fusion-clean-jazz novaiorquino tocando piano e colocando a beleza de sua voz a serviço do instrumento. Agora ela resolveu se divertir e decidiu virar guitarrista, claro que sem o mesmo talento. Alheia a curiosidade por sua decisão radical, ela admitiu também que frequenta a cena underground da capital do mundo tocando disfarçada com perucas e óculos em pequenos bares de Nova York, com pelo menos três diferentes bandas de amigos. “Nunca fui flagrada e me divirto com a aventura”. Esquisitice, né?

Festa Nacional da Música 2010

As eleições desse ano alteraram a data do maior encontro musical da América Latina. A edição 2010 da Festa Nacional da Música acontece na segunda quinzena de agosto, entre os dias 23 e 26, em Canela, no Rio Grande do Sul. Em maio começa a divulgação dos homenageados, calendário e a programação do mega evento. A mostra de instrumentos e equipamentos, sucesso dos últimos anos, será mantida no formato já aprovado pelas empresas participantes de forma a não limitar de nenhuma forma o trabalho de marketing nos muitos palcos e locais disponibilizados por todo o evento. Ou seja, em 2010 as melhores marcas do mundo voltam a desembarcar no RGS.

Talentos ignorados

Com acontece todos os anos, a revista americana Downbeat, a bíblia mundial do jazz, escolheu os melhores de 2009 por voto direto dos seus leitores e mais uma vez os brasileiros aparecem em bom número na lista. João Gilberto, Airto Moreira, Raul de Souza e Cyro Baptista são alguns dos listados entre os melhores do mundo. E como sempre, ignorados pela mídia brasileira que parece valorizar mais os prêmios caseiros e as suas suspeitas indicações. O caso mais constrangedor continua sendo o da cantora Ithamara Koorax que desde os anos 90 é reconhecida como uma das três maiores cantoras do mundo e ao mesmo tempo é “esquecida” pela mídia brasileira que prefere promover e divulgar as mulheres frutas e suas enormes bundas celulíticas. E depois não sabem por que elegeram o Lula.

Nova rainha

Definitivamente a mídia internacional adora porralouquice para promover artistas em ascensão. A tal Lady Gaga é o novo prato cheio dos tabloides e da imprensa inútil. A esquisita faz de cada apresentação uma verdadeira caixinha de surpresas. Limitada como cantora, a moça compensa isso com confusões fora do palco, roupas ousadas e extravagantes, destempero verbal e muita maluquice nos shows. A receita utilizada pela Madona parece ter gerado frutos. Fico imaginando o que ainda vem por aí.

Porteira aberta

A interessante briga jurídica dos músicos com a OMB pode suscitar uma discussão bem maior do que se imagina. A autorização para o exercício profissional no Brasil sempre acobertou instituições que ao longo do tempo se desvirtuaram na sua proposta de defender categorias profissionais e se tornaram feudos de grupos com interesses no mínimo questionáveis. O sindicalismo profissional instituído no Brasil pela Era Lula amplificou isso ao extremo e cada vez mais, dezenas de categorias profissionais se sentem abandonadas e muitas vezes até exploradas exatamente por quem deveria protegê-las. Acho improvável, mas se os músicos derrotarem juridicamente a OMB e sua atual estrutura, a porteira ficará aberta para que outras categorias de trabalhadores façam o mesmo.

Tá na hora

A lei que estabelece as normas de fiscalização e os critérios de arrecadação de direitos autorais no Brasil precisa ser urgentemente revista pelo congresso nacional. As queixas de abusos proliferam pelo país e o poder entregue a uma instituição privada foge ao controle do estado e dos próprios artistas. As leis federais 5.988/73 e 9.610/98 estão defasadas pela nova realidade tecnológica e pela falta de pluralidade no controle dos milhões arrecadados mensalmente. Enquanto meia dúzia de grandes nomes da nossa música defendem o sistema com visível interesse pessoal, a grande maioria da classe artística e os usuários de música reclamam do custo estipulado unilateralmente pela empresa que administra o sistema no país. Nesse cenário, a inadimplência e a sonegação encontraram campo fértil para prosperar.

Garantia

Enquanto até os fabricantes de automóveis promovem a ampliação do prazo de garantia dos seus produtos para três anos, a indústria de áudio e instrumentos nem se coça. Iniciativas isoladas como a da Studio R, fabricante nacional de amplificadores de alto desempenho, que ampliou a garantia pela confiança no seu produto é caso raro. Algumas empresas insistem inclusive em manter o limite no prazo mínimo legal (Art. 26, II, Lei 8.078/90) de 90 dias.

A conta chegou

Ron Wood, guitarrista dos Stones, vai ficar um pouco mais pobre. Os tabefes que ele andou dando na namorada de 21 anos, no ano passado passaram batido perto da conta que Jo, a ex-mulher, mandou para ele com a separação. Depois de 24 anos aturando o valentão, a moça quer uma boa grana para “esquecer o passado”. E a namoradinha foi orientada a ficar de boca fechada. Prometeu tentar, pelo menos...

Aerosmith

A banda parece não se entender quanto ao seu futuro. Enquanto o cantor Steven Tyler diz que quer a parada do Aerosmith apenas como um tempo para descansar, o guitarrista Joe Perry afirma que a banda já procura outro vocalista para continuar cumprindo a agenda lotada. Até o executivo da gravadora do grupo, John Kalodnersu já deu entrevistas convidando Lenny Kravitz para assumir os vocais do Aerosmith. A coisa virou samba do crioulo doido.

Planeta Atlântida

O evento parece que cansou. A morte do seu produtor executivo, o competente e boa praça Renato Sirotsky, aliada à ruindade das atrações novas e a repetição dos shows nacionais mostraram um desgaste do evento que clama por urgente reformulação.

Avaliando o mau gosto

Todo o final de ano é a mesma coisa. Críticos e palpiteiros começam as manjadas listas de melhor isso e melhor aquilo do ano que passou. Confesso que me divirto lendo algumas bobagens que habitam a grande imprensa. Tem cada escolha de doer e ainda são acompanhadas de justificativas que fazem rolar de rir. Considerando o atual nível da “crítica especializada”, não é difícil entender porque a nossa chamada “música popular” é tão decadente e medíocre. Gente sem o mínimo preparo ou conhecimento ocupando espaços em veículos nobres escrevem verdadeiras barbaridades visivelmente coladas de pesquisas no Google e sem nenhuma visão histórica ou técnica do que deveriam conhecer profundamente. Ou pelo menos o suficiente para não escrever bobagem e pagar mico.

Metallica

Mesmo devorados pelo tempo e com visíveis sinais de cansaço, os quatro integrantes da banda Metallica não decepcionaram os seus fãs no Brasil. Tocaram o que deles se esperava e levaram ao delírio os aficionados pelo grupo. Como eu sempre tive a banda na segunda linha do heavy metal e até por conta disso procurei respeitar a babação alheia. Foquei minha atenção na produção da World Magnetic Tour para tentar entender porque algumas das nossas melhores bandas de metal não conseguem o mesmo reconhecimento mundial, embora no mesmo nível musical. O primeiro show da banda no Brasil foi aqui em Porto Alegre e marcado pela desorganização e despreparo dos produtores locais, visivelmente amadores no trato com espetáculos desse porte. Apesar disso a logística da banda superou as dificuldades e funcionou como um antídoto para esse previsível e recorrente problema no sul. No palco, a competência do grupo resolveu o resto. E com a inevitável distribuição de ingressos aos críticos amigos, ficaram garantidos no dia seguinte os elogios à farofada.


Gustavo Victorino pode ser ouvido na Rádio Pampa, apresentando o "PAMPA NA TARDE", de segunda a sexta, entre 16 e 19 horas.

E-mail para esta coluna: victorino.gustavo@gmail.com

 
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