O DILEMA CATÓLICO DA AMAZÔNIA

Toda a discussão sobre a Amazônia no Sínodo que começou no Vaticano no dia 5 e vai se prolongar até o ultimo domingo deste mês tem um único objetivo prático: encontrar uma nova estratégia pastoral para tentar recuperar a perda de fiéis para as igrejas evangélicas.

Aquele gigantismo missioneiro da Igreja Católica quando avançava com a cruz e o evangelho sobre os povos conquistados do Novo Mundo parou no tempo, mas o tempo não parou no “mercado” da fé.

É na Amazônia que os católicos já estão em inferioridade com os evangélicos e isso se compreende porque a dinâmica da pregação religiosa destes pastores é desprovida da burocracia católica que começa na formação de seus agentes pastorais.

Não há, por exemplo, programa para vocações sacerdotais na Amazônia e a escassez de padres católicos na imensidão da floresta e de seus povoados contrasta-se na multiplicação de templos evangélicos e de pastores que se exige apenas um estudo aprofundado da Bíblia e técnicas oratórias destinadas a pessoas simples que buscam conforto espiritual.

O Vaticano já se convenceu de que precisa não apenas mudar a sua catequese, mas as suas regras a respeito do celibato e da presença de mulheres em atividades pastorais e no Sínodo da Amazônia poderão surgir novas determinações sobre esses temas que tanto atrasam as ações católicas na região.

O encontro católico deste mês em Roma terá algumas variantes para longas discussões sobre a floresta, o capitalismo, o meio-ambiente, incêndios, devastação para a agricultura, Bolsonaro, trabalho escravo, tráfico de drogas, garimpo predatório, mas tudo ficará condensado no grande problema que o Vaticano vai precisar definir: a Igreja Católica está sendo substituída por religiões evangélicas que também falam de dias melhores para seus fiéis e que a recompensa por se levar uma vida decente e com fé não está numa vida eterna num outro mundo, mas ao alcance de qualquer ser humano.

Quando o Sínodo terminar haverá uma tramitação burocrática de todas as conclusões das diversas assembleias e só então o papa Francisco emitirá um documento chamado de Exortação Apostólica, que servirá de norma de conduta para a nova política do Vaticano com relação à Amazônia.

Todos os católicos já sabem que a sua igreja precisa mudar se quiser continuar viva na floresta amazônica.

As religiões evangélicas descobriram como se pode levar a palavra de Deus aos mais remotos locais da Amazônia e arrebanhar adeptos. Basta falar, se comportar e ser iguais a eles, inclusive casando e tendo filhos como qualquer caboclo da região.

Se o Vaticano entender e praticar esses hábitos peculiares da Amazônia, talvez tenha alguma chance de recuperar o que perdeu por lá.