O TERRORISMO COMEÇA NA DESAGREGAÇÃO FAMILIAR

Frederick Forsyth, provavelmente o melhor autor de obras de espionagem que o mundo conhece, nos revela em seu livro “A Lista” a impotência dos serviços de inteligência dos Estados Unidos em localizar o Pregador, um terrorista muçulmano que se especializara em aliciar militância jovem pela dark web. As melhores equipes não conseguiam rastrear o Pregador que matava americanos importantes em atentados realizados por lobos solitários recrutados em lives de qualquer ponto do planeta. Um agente especial ficou encarregado de buscar alguém capaz de neutralizar o Pregador e, numa modesta casa em Centreville, Virgínia, o jovem Roger, 19 anos, recebeu a missão secreta de identificar o homem que matava os inimigos do Islã.

Da ficção muito próxima da realidade que Forsyth elabora como nenhum outro escritor do gênero, vamos para a nossa realidade, como a recente tragédia de Suzano que nos trouxe para o mesmo mundo do terror – a especialidade do escritor britânico. As autoridades brasileiras já investigam um grupo que deve estar atuando nas profundezas mais sinistras da internet – a dark web – o qual poderia ter incentivado os dois assassinos da Escola Estadual Raul Brasil.

Não estamos falando de uma navegação difícil pela internet, mas de um sistema quase impossível de ser detectado e que hoje é utilizado em meios criptográficos por hackers a serviço das atividades criminosas como comércio ilegal de armas, pornografia infantil, fóruns terroristas e tráfico de drogas. Os cibercriminosos estão presentes entre nós há pelo menos uma década e agem no silêncio de seus quartos cujos pais não têm a mínima percepção do que fazem seus filhos que jantam e conversam com eles.

Não foi assim com o menor pistoleiro de Suzano, Guilherme Monteiro, e seu companheiro Luiz Henrique de Castro, amigos de seus amigos e de comportamentos insuspeitos? Há outro jovem suspeito de participar do planejamento do massacre, o que leva as autoridades a acreditarem numa organização de maior amplitude pela dark web conectada com organizações terroristas de todos os matizes ideológicos e criminosos.

Esses grupos atuantes nos umbrais do mundo cibernético podem escolher suas vítimas – personalidades famosas, passageiros de metrôs, em aeroportos, em casas noturnas, em escolas, em locais públicos, sejam elas brancas de olhos azuis, imigrantes africanos, asiáticos e refugiados de guerras regionais. Esses novos terroristas são movidos pelo ódio e pelo desamor que cultivaram quando precisavam apenas de país e mães que lhes dessem carinho e atenção. Seus mentores são os mesmos que pregam a desagregação familiar, o núcleo do terrorismo doméstico.