BERNARDO E MARIELLE

Os assassinos da vereadora Marielle Franco e do menino Bernardo Boldrini merecem mofar na cadeia, para ficarmos com um veredito bem popular e sintonizado com a “voz rouca das ruas”.

Acabam aí as coincidências, por que Marielle (como Chico Mendes) se transformou numa commodity dialética da esquerda e pauta quase diária da TV “Conta Prá Gente”, também conhecida como Globo News.

Já o garoto de Três Passos, sem proteção familiar e sem apoio sequer das autoridades para as quais recorreu pedindo ajuda só está de volta ao noticiário por força do julgamento de seus supostos assassinos. Provavelmente, se Bernardo não pertencesse a uma tradicional família classe média e fosse um garoto sem-terrinha, estaria com o mesmo quinhão de mídia que Marielle sempre recebeu.

A militância esquerdista no jornalismo sofre de necrolatria desde que as vítimas possam ser chamadas de suas. Marielle foi um exemplo acabado de necrolatria jornalística através de editoriais, reportagens especiais, conferências, documentários e, finalmente, parte de enredo de escola de samba que deu à Mangueira o primeiro lugar no Carnaval do Rio de Janeiro.

Estranha e lamentável ironia a união da memória de Marielle com essa tradicional entidade carnavalesca, pois  seu presidente, o deputado estadual Chiquinho da Mangueira (Francisco Manuel Carvalho- PSC) está em regime de prisão domiciliar usando tornozeleira, acusado de ter ligações com o crime organizado (traficantes, milicianos e donatário de propinas da quadrilha de Sérgio Cabral).

Mas não era essa a luta de Marielle, contra a bandidagem carioca  que teria determinado a sua execução?

Aí estão presos os acusados pela morte da vereadora, suspeitos de participação nas inatingíveis milícias do Rio de Janeiro.

Não se imagine, no entanto, que a prisão dos suspeitos acabe com a campanha “Quem matou Marielle?”. Já está em curso outra com a mesma intensidade: “Quem são os mandantes da morte de Marielle?”

A polícia do Rio continuará investigando o assassinato da vereadora do PSOL com mais dedicação que a polícia paulista, pois para esta, por exemplo, a morte de Celso Daniel não teve mandantes e estamos conversados.