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A TENTAÇÃO TOTALITÁRIA 
Juan Carlos P. Mintegui Economista, professor universitário e livre pensador 
Digam-me,
cidadãos-de-bem, se nestes tempos não sentem algo assim como
impotência, desespero contido ou simplesmente a sensação
de que algo de muito de ruim está para acontecer. Olhar o
horizonte e ver que pessoas de boa índole, de bons sentimentos, do
bem, como você leitor, estão sendo enganados diante de
situações que qualquer indivíduo, em uso de suas plenas
capacidades mentais, deveria perceber as falácias e
sofismas grassando no nosso País como nunca nos seus cinco séculos
de existência. É
difícil, também, começar a descrever todas as manobras
e as mentiras que são assacadas, diariamente, contra o povo
brasileiro. E nós somos parte do povo: somos trabalhadores
que vivemos dos nossos salários, de aposentadorias, de honorários
profissionais, de comissões, até de pequenos lucros; em suma,
do suor do nosso trabalho. Pagamos nossos
impostos, melhor dito, somos extorquidos como nunca o
fomos. Se
pudéssemos cravar uma estaca para definirmos quando visualizamos o
ponto de inflexão deste estado de coisas, certamente o faríamos lá
nos idos de `80 quando a militância petista pedia nas bocas das
urnas que os eleitores votassem nos candidatos que desejassem mas
que incluíssem a sua legenda na cédula pois estavam “construindo”
o Partido. Isso
lhes era importante, porém não alertavam os incautos de que
isso significava a substituição do voto do eleitor pelo deles.
Poderia-se dizer que aí começou o estado de coisas. Passou-se
algum tempo e o PT expulsou de seus quadros aqueles que
tiveram a decência de votar em Tancredo Neves no Colégio Eleitoral
e terminar com o ciclo militar Chegamos na Constituinte, momento
mágico na vida do nosso País, e o PT decidiu não assiná-la. Ex-Prefeita
de São Paulo teve de afastar-se do Partido para ser Ministra
do Presidente Itamar após o impeachment de Collor, este hoje
um dos esteios da candidatura oficial. Assim como foi contra os
Planos Cruzado e Real e o fim do imposto inflacionário que atacava
fundamentalmente os pobres. Foi, nessa linha, também, contra a Lei
de Responsabilidade Fiscal. O processo de reformas sofreu todo
tipo de empecilhos. Hoje as pessoas mais humildes
têm condições de ter seu telefone e usá-lo da maneira que
mais lhes convier. Uma linha telefônica não custava menos de dois
mil dólares e hoje compra-se em supermercado ou corredor de
shopping e se sai falando.Vimos o processo da utilização
socializada do telefone a partir de sinecuras
privatizadas. E o erário público recebendo uma carga
fiscal como nunca. Nós
como gaúchos já vimos o filme de tê-los à frente da Prefeitura de
Porto Alegre e do Governo do Estado quando levaram até as últimas
conseqüências uma política de confronto, de intimidação e
de intolerância. Pergunte-se à dezena de jornalistas que foram
processados pelo direito de opinião nesse período,
obscurantista e inquisitorial. E não esqueçamos da queima de
lavouras experimentais, da explosão de laboratórios de
pesquisa em universidade pública e a destruição de
viveiros florestais. E porque
não lembrarmos do Clube da Cidadania e do fechamento do
Colégio Tiradentes da Brigada Militar que mantinha os mais
elevados índices de aprovação em vestibulares de universidades
públicas. E
nessa caminhada não faltaram assassinatos como os dos Prefeitos de
Campinas e Santo André que até hoje, após mais de 5
anos, não foram esclarecidos. E os milhões de reais
apreendidos com os“aloprados” para a compra de dossiê contra candidatura de oposição na passada eleição. Até
hoje ninguém foi responsabilizado nem detectada a origem
dos recursos. Uma rara miscigenação entre stalinismo e fascismo.
Juntaram ao controle da máquina pública a utilização do Partido,
ONGs, sindicatos e sindicalistas, financiando todos para a
execução de seus desígnios, utilizando-se de verbas a fundo
perdido e empréstimos sem serem honrados, esquecendo-se de
que esses recursos são públicos e pertencem à toda a sociedade. Em
termos internacionais evidenciam-se com maior clareza os seus
propósitos. Largos recursos são dilapidados em “ajudas” a
sócios menores, doações e financiamentos a fundo perdido, aviões e
helicópteros que poderão ser usados contra seus povos, estão
sendo dados à Venezuela, Equador, Cuba, Paraguai,
Bolívia e a tiranos africanos há mais de 30 anos no poder.
Abre-se espaço a assassinos como Ahmadinejad dando cobertura
a seus propósitos no plano internacional, este que fraudou
eleições e matou oposicionistas. No entanto, ridicularizou o
nosso País ao apoiar essa figura histriônica do ex-Presidente de
Honduras que violou a Constituição e foi apeado do poder.
Após processo eleitoral que reconduziu Honduras à normalidade
democrática o Governo brasileiro é um dos poucos países
que não a aceita. Isso é consentâneo com a posição do PT
frente à redemocratização do nosso País iniciada no Colégio
Eleitoral. Externa-se uma responsabilidade junto ao Paraguai
por um conflito por este iniciado e que significou a invasão ao
Mato Grosso e ao Rio Grande do Sul, a apreensão de navio
que conduzia o Presidente da Província do Mato Grosso, a
interrupção à navegação de rios internacionais e a morte de
dezenas de milhares de compatriotas. Se o Barão de Rio Branco
retornasse se apavoraria com o que os insanos têm feito em sua
Casa. Vivi
e sofri os anos de chumbo. Tive que sair do País junto com meus
pais e sei o que isso representou. Fui anistiado e a
União reconheceu a perseguição. Sofri na carne a impossibilidade
da minha família enterrar a minha avó. Meu pai morreu fora do
País, longe da Pátria que tanto amava. Vivenciei
a experiência de ter os meus documentos seqüestrados em Consulado
brasileiro no exterior. Meus livros enterrados e
outros convertidos em papel higiênico. Fora as prisões. A
intranqüilidade de não saber se se voltava para casa depois
de um dia de trabalho. Do prejuízo na carreira e nos
negócios. Nas cautelas ao falar. No afastamento
de pessoas conhecidas. Sem poder dizer ou escrever aquilo que
se sentia. E isso sem nunca ter sido guerrilheiro ou terrorista. Apenas
membro de partido político legal de oposição e dirigente
estudantil. Amante da liberdade. Hoje
vejo que o filme poderá ser reprisado. O totalitarismo não tem
sinal. Não há diferença entre um torturado do Irã ou de
Cuba. Nem entre um refugiado da Somália ou do Afeganistão.
Não quero isso para as minhas filhas nem para os meus netos. Já
Mao Tse Tung dizia que às maiorias, mesmo que maiorias, não lhes é
atribuída automaticamente a razão. Vivemos tempos aziagos,
de péssimo gosto. Na Alemanha, um partido dos trabalhadores,
também, porém, o nacional-socialista dos trabalhadores
alemães, tinha seu líder maior com mais de 90 por cento de
aceitação. E a Humanidade pagou por isso, deixando marcas
indeléveis no seu inconsciente coletivo. Nega-se
o óbvio justificando essas maiorias. Despreza-se com soberba nunca
dantes vista na história do nosso País aqueles que têm a
ousadia de pensar diferente e denunciar os atropelos que
diariamente se fazem contra a democracia e o estado de direito. O
sigilo das pessoas e seus direitos são permanentemente
violados. A corrupção grassa: até o momento apenas
um membro da quadrilha foi processado pelos delitos do
“mensalão”. Navega-se sem pruridos no mar da impunidade. Utiliza-se
massivamente a máquina do Governo para
aniquilar adversários. Coopta-se pessoas e procura-se
estabelecer instrumentos de controle da palavra e da opinião
(Conselho Nacional de Jornalistas e III PNDH). O torpor e
estupefação é de tal porte que até os primeiros que serão
aniquilados não conseguem identificar a fila da degola. Teremos
dias tristes pela frente, sim. Não apenas de um populismo barato
mas de totalitarismo ativo. Será maior ou
menor dependendo das nossas atitudes, fazendo o que sempre
fizemos e continuaremos a fazer. Meu
pai, preparando-se para retornar do exílio respondendo a
um jornalista da ISTO É, diante da pergunta de qual o espírito com
que ele estava retornando depois de um longo período disse:
“Volto com os mesmos princípios de 23: Justiça e Liberdade”. E não
é pouco. A
nossa sociedade que preza esses princípios deve
conversar e não apequenar-se. Denunciar entre os menos
avisados as ameaças à liberdade e ao regime democrático que, mesmo
com os defeitos que tem e que permitiu que ativistas
irresponsáveis atentarem todos os dias contra a democracia, esta,
ainda, não foi substituída por outra melhor, tal qual o
dissera Winston Churchill. Sugiram
aos céticos a leitura das Cartas do Cárcere e outros textos de
Gramsci e as Atas do Foro de São Paulo. Ali vão se
encontrar os códigos da corrida contra a liberdade. E
não pensem que os países limítrofes permitirão o nosso asilo. Eles
estão também inoculados do mesmo mal. Teremos que ficar
aqui convivendo com eles. Quem viver verá.
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