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A TOMOGRAFIA DO DAER

Um relatório com 253 páginas é o resultado de um longo e aprofundado trabalho de investigação no Daer pela Comissão Processante, coordenada pela PGE (Procuradoria Geral do Estado), sob a responsabilidade da procuradora Adriana Krieger de Mello que contou com o apoio técnico e jurídico dos servidores Carlos Maria Garcia da Rosa, Rosemeri Trevisan, Eduardo Augusto de Moraes Hartz, Vinicius Puricelli Faccini e Evandro Genz.  

Esta equipe realizou a mais completa investigação nunca antes procedida num órgão público do porte do Daer. O trabalho encontra-se no Ministério Público Estadual para que sejam tomadas as providências recomendadas pela Comissão e o que se espera é que o Estado seja até mesmo ressarcido dos prejuízos sofridos. A PGE fez um check-up nas irregularidades encontradas no Daer apontando 17 servidores, muitos deles “faltando com seu dever de lealdade, boa-fé e colaboração”. Mais do que uma radiografia, a Comissão Processante colocou o Daer num tomógrafo e o diagnóstico é preocupante: há lesões éticas que mais parecem tumores não-tratados ao longo de uma vida administrativa do órgão. Em todos os pontos examinados pela PGE – Rodovias, Pedágios Comunitários, Concessões Rodoviárias e Controles Eletrônicos de Velocidade (Pardais e Lombadas) – os miomas surgem no monitor revelando um descontrole de células que deveriam zelar pela saúde do “paciente” que, por força constitucional, é o encarregado da política rodoviária e de transporte do RS. O MPE terá trabalho pela frente na apuração de todas as irregularidades apontadas pela PGE. E se quiser ir ainda mais fundo tem até um caso de pornografia infantil encontrada num computados numa sala do Daer. A tomografia, como se sabe, também aponta a necrose naquelas áreas do cérebro que controlam nossos instintos éticos.

EFEITO ICEBERG

O que começou com uma denúncia sobre irregularidades nos pardais onde parecia uma operação para atingir a empresa gaúcha Kopp (fabricante de controladores de velocidade, prejudicada em dezenas de milhões de reais pela forma como foi tratada em setores da mídia) acabou num relatório minucioso sobre irregularidades no Daer. Nas 253 páginas do trabalho da Comissão Processante da PGE não há uma só referência à empresa Kopp. Mas os danos à Kopp estão nos balanços financeiros da empresa.

PORNOGRAFIA INFANTIL

Na página 244 do relatório da Comissão Processante está registrada a constatação obscena do que se fazia numa sala do Daer: “Na data em que foi recolhido o computador, dia 14 de abril de 23011, às 9horas e 46 minutos foram apagados arquivos de ... (nome omitido do servidor) envolvendo ‘pornografia infantil’, estando o Ministério Público Estadual investigando, no âmbito criminal, a autoria dos ilícitos”.

DELAÇÃO PREMIADA

No segmento da investigação que será promovida pelo MPE já se fala na possibilidade de alguns servidores apontados pela Comissão Processante se valerem da delação premiada. Se resolverem falar e contar tudo o que sabem e que presenciaram, talvez o MPE tenha que vasculhar os andares superiores de outras administrações estaduais.

VALE A PENA

Quem quiser ler a íntegra das 253 páginas do trabalho deve acessar o site da Procuradoria Geral do Estado:  http://www.pge.rs.gov.br 

Na tela de abertura é clicar, à direita, em “Relatório Final da Comissão Processante (Daer)”. É a tomografia de um estilo de gestão que envergonha o servidor decente e dedicado do órgão. Felizmente, a maioria.


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