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ALÔ, ALÔ, PRAIAS GAÚCHAS

- Maria, no guarda-roupa do meu quarto, tem aquele cobertor “paraíba” que precisas me enviar pelo ônibus Palmares da uma da tarde. Vou pegar na rodoviária. Tá muito frio aqui na praia...

O recado, transmitido pela Rádio Guaíba, era um entre os milhares de outros que iam ao ar, todos os dias, em dois horários distintos – às 13h10, depois do “Correspondente Renner” e às 20h, após  “A Voz do Brasil”.

Nenhum leitor desta coluna com menos de 50 anos terá condições de imaginar como os veranistas de nossas praias – rigorosamente apenas em janeiro e fevereiro – se comunicavam com suas residências em qualquer ponto do Rio Grande do Sul.

O programa “Guaíba nas Praias” começou no início dos anos 60 e a tarefa de recolher os recados estava a cargo dos radialistas Adroaldo Streck e Lauro Quadros. Eles partiam da base no Hotel Bassani, onde havia um estúdio montado para as duas transmissões diárias.

Pela manhã, o jipe da Guaíba ia até a praia do Quintão e recolhia os recados em pontos estabelecidos naquele balneário, em Pinhal, Cidreira e Tramandaí. À tarde, o jipe se deslocava para Torres e apanhava as mensagens também em locais específicos, nas poucas praias existentes e povoadas até Capão da Canoa.

O serviço da Rádio Guaíba era utilizado, democraticamente, da empregada doméstica ao fazendeiro mais abastado por ser o meio mais seguro de uma mensagem ser ouvida e atendida no máximo em 48 horas.

O Rio Grande do Sul ficava de ouvido atento aos horários das mensagens e como não havia sinal de televisão no Litoral, os veranistas aproveitavam para ouvir as notícias do “Correspondente Renner”, à tarde, antes dos recados e, à noite, às 21h, após a transmissão dos mesmos. Depois do programa noturno era a hora de dormir. Em muitos balneários a energia elétrica era desligada às 22 horas.

NOTÍCIA PELO AVIÃO

Todos os dias, à exceção de domingo, o jornal “Folha da Tarde” chegava às praias à bordo de um teco-teco (assim era conhecido o monomotor “Paulistinha”). Um auxiliar do piloto abria a porta do pequeno avião e jogava o pacote de jornais sobre as dunas. O agente local se encarregava de apanhar o embrulho e vender os exemplares aos leitores que chegavam à banca logo que ouviam o ronco do teco-teco.

NO ESTÚDIO (1)

O estúdio da Rádio Guaíba, no Hotel Bassani, fora montado pelos técnicos, os irmãos Krebs e Celso Costa. A direção da emissora tinha conseguido um telefone de magneto com a nova empresa de telefonia – A CRT – encampada pelo governador Leonel Brizola, mas a linha não era confiável e havia demora em se conseguir ligação com Porto Alegre.

NO ESTÚDIO (2)

Para não haver qualquer falha de transmissão, a Guaíba tinha um transmissor SSB (single side band) operado pelos Krebs e por Celso Costa. O som que chegava a Porto Alegre tinha qualidade local, mas às vezes a onda dava sinais altos e baixos tornando ainda mais emocionante a leituras dos recados.

OUTRO PROGRAMA

Antes de a Rádio Guaíba ser inaugurada, a emissora dos Diários Associados, Rádio Farroupilha, já tinha um programa semelhante – “Farroupilha chamando o Atlântico Sul”.  Quando a Guaíba entrou no ar, a sintonia dos veranistas transferiu-se para a emissora da Caldas Júnior. Ela vinha com a força e o prestígio do “Correio do Povo” e da “Folha da Tarde”.