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BEM-VINDOS AO INFERNO

Na verdade, a frase do título desta coluna estava em inglês (“Wellcome to hell”), numa faixa exposta por um comitê de recepção no Aeroporto Internacional Tom Jobim organizado por policiais civis e bombeiros do Rio de Janeiro.  Mais do que um protesto por atraso de salários das duas corporações, a faixa também era um aviso dos perigos que correm e correrão para quem visitar a sede dos Jogos Olímpicos, em agosto.


Eu me coloco na situação de visitante de um país onde acabo de chegar e sou recebido com tal advertência. Se vou para um lugar de conflitos (Oriente Médio, por exemplo), sei dos riscos que irei enfrentar, mas como me sentiria chegando a uma cidade que vai promover o principal evento esportivo do planeta, com 10 mil atletas e 350 mil turistas?

Diga aí, prezado leitor, a faixa de advertência tem algum exagero? No ano passado, 1.202 pessoas morreram vítimas da violência incontrolável que tomou conta do Rio já faz algum tempo. O governo (leia-se federal, estadual e municipal) promete manter 25 mil homens no policiamento durante a Olimpíada, mas só este fato já dá para assustar. Vimos, recentemente, como ficou Bruxelas após o atentado no aeroporto. A capital belga parecia uma cidade síria, ocupada por soldados armados e até ameaçadores pelo visual apresentado.

O Rio está pior, pois a ocupação é permanente enquanto Bruxelas já voltou à sua vida normal. O crime controla áreas onde a polícia só entra com blindados da Marinha e não há qualquer perspectiva de uma retomada do poder públicos nesses locais sob o domínio da bandidagem e do medo.

A pergunta que não quer calar é saber como irão se comportar os criminosos durante os jogos? Não bastasse tal ameaça permanente, soma-se a ela um recado insolente dos chamados movimentos sociais que irão protestar contra o “golpe”, já que o impeachment de Dilma Rousseff só será apreciado após o término da Olimpíada.

O jornal inglês “The Guardian”, quando estávamos a 100 dias da abertura dos Jogos Olímpicos, foi cruel na crítica ao Rio de Janeiro. “ O Rio entra na reta final olímpica mais parecendo uma clássica república latino-americana do que uma economia emergente moderna que está a ponto de assumir o seu lugar entre as principais do mundo”.

Houve crueldade do jornal na sua crítica, ou foi apenas uma constatação do que nós brasileiros conhecemos muito bem?

RIVALDO AVISA

Rivaldo, ex-seleção brasileira, alerta para quem quiser visitar o Brasil durante os Jogos Olímpicos: Aqueles que visitarem o país estarão "correndo risco de vida". "Isto sem falar nos hospitais públicos que estão sem condições e toda esta bagunça na política brasileira. Só Deus para mudar a situação do nosso Brasil", completou Rivaldo. O ex-jogador mora, atualmente, com a família nos Estados Unidos, onde abriu algumas escolinhas de futebol para crianças.

IMAGEM LÁ FORA 

Dois importantes veículos de comunicação global, CNN e a Deutsche Welle citam a crise brasileira em suas reportagens. A CNN refere-se à corrupção, o impeachment e a situação da saúde pública. A DW publica os mesmos problemas, aumentados pela “recessão econômica”.

POLUIÇÃO INCONTROLÁVEL(1)

Há um temor generalizado entre os atletas que disputarão as provas náuticas. A atleta alemã Carolina Werner (iatista da categoria Nacra 17) estava assustada com o viu na Baia de Guanabara. “Estive aqui no ano passado e nada mudou. A sujeira a mesma. O pior que não vejo limparem.”

POLUIÇÃO INCONTROLÁVEL (2)

“Já vimos de tudo aqui. Garrafas, piscinas de plástico e até uma cama. Quem está aqui sabe o que vai encarar e está se preparando para isso. O importante é montar a melhor estratégia possível para superar isso”, disse o técnico argentino Sebastian Brusca, que comanda parte dos iatistas suíços.

VALE A PENA GASTAR TANTO?

Os gastos com os Jogos de 2016 já alcançaram R$ 37,6 bilhões. Os valores estão assim distribuídos: arenas: R$ 6,5 bilhões; legado: R$ 24,1 bilhões; e investimento do Comitê Organizador da Olimpíada: R$ 7 bilhões. O orçamento previsto na candidatura brasileira era de R$ 28,8 bilhões.