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ROUBALHEIRA SEM FIM

Será que a roubalheira nacional não tem fim?  Na semana passada, a PF com mandados de busca e apreensão revistou o apartamento do casal Paulo Bernardo-Gleise Hoffmann, em Brasília, em busca de provas para a investigação da Operação Custo Brasil -  um suposto desvio de R$ 100 milhões a partir de empréstimos consignados no âmbito do Ministério do Planejamento, na gestão do marido de Gleisi.


Uma semana antes, na Operação Turbulência, a PF, a partir da queda do jato executivo que matou o presidenciável Eduardo Campos, em 2014, tinha como foco o desvio de R$ 600 milhões, a partir de 2010, envolvendo caixa 2 de obras públicas com empreiteiras.

Nesta terça-feira pela manhã, mais trabalho para os agentes da PF com a Operação Boca Livre – suspeita de desvio de R$ 180 milhões através de falsos incentivos fiscais da Lei Rouanett, um desses benefícios utilizado para um cinematográfico casamento em Jurerê Internacional (SC).

Somados esses mais recentes escândalos, eles totalizam “apenas” R$ 880 milhões. “Apenas?” – pergunta, certamente, o leitor desta coluna.  Mas, aí, o mesmo leitor se dá conta da banalização da corrupção. Só na Petrobrás , a Polícia Federal estima que o propinoduto que sangrou os cofres da estatal tenha movimentado impressionantes 42,8 bilhões de reais, segundo laudos de peritos da corporação.

Desde o ano passado, a PF investiga crimes tributários na área da Receita Federal pela Operação Zelotes e é tanta trampolinagem que não se sabe o tamanho do prejuízo aos cofres públicos. Um primeiro cálculo apontou para uma fraude de R$ 19 bilhões.

Ainda não se investiga com a mesma intensidade a corrupção no setor elétrico nacional com a construção de hidrelétricas e no setor da energia nuclear, mas executivos da Andrade Gutiererez, em delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato, afirmaram que R$ 150 milhões da hidrelétrica de Belo Monte foram pagos como propina para o PT e o PMDB, dinheiro utilizado nas eleições de 2010, 2012 e 2014.  O valor dessa propina correspondia a 1% do total da obra.

Dá para entender por que hospitais estão lotados, escolas abandonadas, polícia sem efetivos e equipamentos, rodovias esburacadas e salários de servidores públicos atrasados e defasados?  É a roubalheira sem fim, brasileiros e brasileiras!

BELO MONTE

A hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, foi orçada em 16 bilhões de reais, leiloada por 19 bilhões de reais e financiada por 28 bilhões de reais. Quase dois anos depois do início das obras, o valor não para de subir. Já supera R$ 30 bilhões de reais e pode aumentar ainda mais com as dificuldades para levar a construção adiante.

ROUBO VEM DE LONGE (1)

Em 2001, houve o escândalo da Sudam. Esse caso envolveu dirigentes da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia, que desviavam dinheiro com falsos documentos fiscais e contratos de bens e serviços. O desvio foi de R$ 214 milhões.

ROUBO VEM DE LONGE (2)

Alguém ainda lembra dos “vampiros da Saúde?” Esquema desmontado em 2004 no setor de compras do Ministério da Saúde. A fraude durou mais de uma década e desviou R$ 2.4 bilhões.

ROUBO VEM DE LONGE (3)

Em 2006, os brasileiros conheceram a Operação Sanguessuga, uma roubalheira cujos ladrões faziam compras superfaturadas de ambulâncias. O rombo foi de R$ 140 milhões.

FAÇAM AS CONTAS

Um hospital moderno com 12 a 15 especialidades tem um custo de R$ 1 milhão por leito.  Exemplo: um hospital com 200 leitos, completo, com tudo funcionando, inclusive com equipamentos de última geração, sairia hoje por R$ 200 milhões.  12 vezes menos o roubo da quadrilha dos “vampiros da saúde”.