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DIAGNÓSTICO QUE SERVE PARA NÓS

O escritor Mario Vargas Llosa escreveu um artigo para o jornal “O Estado de S. Paulo” sobre a nova Argentina presidida por Maurício Macri cujo texto, com pequenas ressalvas, se encaixaria com perfeição na atual situação brasileira, já com a interinidade de Michel Temer. Vargas Llosa destaca a coragem de Macri em promover reformas radicais para tentar desratizar a Argentina “dos desvarios populistas e do feitiço suicida que o ‘socialismo do século XXI’ de Chávez e Maduro exerceu sobre o governo dos Kirchner”.

Não sei se o genial escritor peruano conhece a herança petista de 13 anos que Michel Temer está tentando desenrolar, mas, seguramente, Vargas Llosa é um especialista na virose bolivariana que contaminou a América do Sul e que também nos atingiu com uma gravidade que custa muito aos brasileiros -  o BNDES deu muita mesada para Chavez, Maduro, Morales, Mujica e Correa.

Certa vez, o então presidente Carlos Menem disse que a Argentina tinha relações carnais com os EUA, pois o Brasil teve uma poligamia com os nossos vizinhos bolivarianos, ao melhor estilo do velho coronel que sustentava suas garotas em orgias vespertinas.

“Em seus poucos meses no poder, Mauricio Macri conseguiu levar a cabo reformas valentes e radicais para desmontar a máquina intervencionista e demagógica que estava arruinando uma das nações mais ricas do mundo, isolando-a e empurrando-a para o abismo”. Disse Vargas Llosa.

A revelação de um provável déficit no orçamento nacional que pode chegar a R$ 200 bilhões – Dilma Rousseff falou em R$ 96 bilhões – é de provocar calafrios no novo governo que não se sabe se vai ter duração de 180 dias ou se prosseguirá até o dia 31 de dezembro de 2018.

Ai está um dilema igual ao encontrado por Macri, só que o argentino tem mais tempo para transformar o seu país, outra vez, numa nação rica.  Brasil e Argentina vivem um drama semelhante até mesmo no comportamento de quem foi para a oposição. Lá, o kirchnerismo no Congresso vai para o quanto pior melhor para desestabilizar Macri e o mesmo diz aqui o petismo na Câmara e no Senado: não haverá trégua para Temer.

Vargas Llosa sentiu-se confortado ao ver Maurício Macri “explicando com clareza, simplicidade e franqueza que desafogar uma economia paralisada pelo construtivismo demagógico tem um preço alto e inevitável e que, sem esse saneamento que é voltar da fantasia à realidade, a Argentina nunca sairia do buraco no qual foi atirada por uma ideologia fracassada em todos os países que a aplicaram.

Michel Temer tem uma boa vizinhança que já começou as suas reformas e se quiser fazer um governo é só copiar o que Macri aplica na Argentina.


SACRIFÍCIOS

“O novo chefe de governo argentino – escreveu Vargas Llosa - me pareceu desprovido da arrogância que costuma acompanhar o poder e da retórica inconsistente de tantos políticos, e empenhado em construir pontes e em convencer seus compatriotas de que os sacrifícios necessários para acabar com o nefasto populismo são o único caminho através do qual a Argentina pode recuperar a prosperidade e a modernidade das quais já usufruiu no passado.”

SOMOS IGUAIS?

“A Argentina é um país muito rico em recursos naturais e humanos; o sistema educacional exemplar que teve no passado, apesar de ter se deteriorado com as más políticas dos governos precedentes, ainda produz cidadãos mais bem formados do que a média latino-americana – talvez nenhum outro país da região tenha exportado mais técnicos de alto nível para o resto do mundo.”

AS REFORMAS

“E não há dúvidas de que, com as reformas agora em andamento, os investimentos estrangeiros, retraídos durante todos estes anos, voltarão em grande número a uma terra tão pródiga, criando os empregos necessários e elevando os níveis de vida e as oportunidades para os argentinos”.

CORRUPÇÃO SEMELHANTE

A corrupção na Argentina proliferou de maneira cancerosa. Vargas Llosa:
“ A imprensa dá notícias estarrecedoras sobre as quantias vertiginosas acumuladas pelos testas de ferro dos antigos mandatários, monopolizando as obras públicas de regiões inteiras e saqueando seus orçamentos de maneira impudica, transformando em bilionários aqueles donos do poder que se vangloriavam de ser revolucionários anti-imperialistas e inimigos jurados do capitalismo”, Alguma diferença com o Brasil?