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UM DOMINGAÇO

“Nada será como antes”, diz a canção de Milton Nascimento ea frase se encaixa no clima político nacional, depois das manifestações dedomingo. “Que notícias me dão dos amigos? Que notícias me dão de você?” – sãoperguntas musicais do autor que também estão nas bocas dos petistas que “seachavam” os donos e condutores do povo brasileiro, antes sem qualquer divisãoquando as bandeiras vermelhas emolduravam as manifestações.

Hoje, aqueles que já aceitam a perda do monopólio dadecência, da honestidade, da ética e da pureza partidária se reorganizamdialeticamente para definir os milhões de brasileiros que saíram às ruas nodomingo passado como “coxinhas”. E é aí que os ideólogos do PT e seuscompanheiros de viagem cometem o que se chama de erro histórico de avaliação.

As explicações na noite de domingo por parte do governo queescalou os ministros Miguel Rossetto e José Eduardo Cardozo foram inócuas econtraditórias. Parece até que faltou uma combinação prévia entre os dois.Enquanto Cardozo procurava entender a manifestação e falou em “humildade”várias vezes, Rossetto minimizava o grito nacional ecoado em mais de 180cidades importantes do país, como um protesto de quem não votou em Dilma Rousseff.

Será que entre aqueles milhões de brasileiros não havianenhum eleitor de Dilma Rousseff desencantado com promessas eleitorais nãocumpridas e sequer lembradas nesses primeiros meses de governo?  A audácia verbal de Rossetto – válida para amilitância petista atordoada pelo povo nas ruas gritando contra a corrupção econtra o governo – não foi aprovada nem pelo Planalto que na segunda-feiravaleu-se apenas de José Eduardo Cardozo para novas explicações numa entrevista coletiva.

Mais tarde, a própria presidente veio a público num encontrocom jornalistas como se a ação de seus ministros não tivesse surtido o efeitoesperado. E acreditem: ela foi mais eficiente e colocou na pauta a discussãosobre a corrupção, hoje o maior dilema nacional, prometendo apresentar medidassaneadoras. Vamos aguardar com uma única certeza sobre tudo o que aconteceu nodomingo: o Brasil mudou e nada mais será como antes. Como foram os últimos doze anos de reinado petista.

VAI COMEÇAR

A base parlamentar do governo será testada em três grandesprojetos enviados pelo Planalto: ajuste fiscal, medidas anticorrupção e reformapolítica. Todo o entendimento, no entanto, vai precisar das presenças de MichelTemer, Renan Calheiros e Eduardo Cunha nos encontros com Dilma Rousseff e seusministros de confiança.

INCONFORMADO (1)

O presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, não seconforma com o seu indiciamento pelo procurador-geral Rodrigo Janot, pois temafirmado que a corrupção está no Executivo e não no Legislativo.

INCONFORMADO (2)

Para Eduardo Cunha, sua justificativa sobre corrupçãorefere-se “a eles”. Quem são “eles”? Cunha disse no programa Roda Vida (TvCultura –SP) que “eles fazem tudo aquilo que eles pensavam que nós fazíamos”.Sua observação era sobre o PT no poder.

CETICISMO

O presidente da Câmara não vai se negar a encontrospolíticos para a discussão dos projetos do governo, mas ele é muito cético edisse a empresários na Fiesp, nesta segunda-feira:“Eles não querem o diálogocoisa nenhuma. Eles querem é o monólogo”.

PMDB CONTRA

A grande tese do PT sobre o fim do financiamento privadopara as eleições encontra o maior e mais articulado adversário: o PMDB naCâmara e no Senado. O partido no Congresso vai defender na reforma política acontinuidade do modelo atual onde as doações privadas são importantes e elegemas principais lideranças partidárias. Todas elas, sem exceção.